12 de set. de 2010

Fibromialgia relatos e pesquisas







Ocorrência nº 1:
Respiração lenta e profunda pode reduzir sensação de dor
Um estudo realizado nos Estados Unidos e publicado na revista Pain, na edição de Janeiro de 2010, relaciona a meditação como uma estratégia de auto-regulação particularmente benéfica para o controle da dor. Neste trabalho, foi aplicado um modelo de dor para testar um componente-chave da meditação: a respiração lenta. Esta reduz o desprazer da dor para um grupo de pacientes com dor crônica em relação aos controles saudáveis. Os investigadores norte-americanos avaliaram dois grupos de mulheres com idades entre 45 e 65 anos, um composto de voluntárias diagnosticadas com fibromialgia e um grupo-controle com mulheres saudáveis. As análises das avaliações revelaram que a respiração lenta teve seu maior impacto na percepção a estímulos de dor moderada. Realizando testes com calor na palma das mãos das voluntárias, constatou-se que quando as mulheres reduziam as suas taxas de respiração em 50%, estas relatavam sentir menor intensidade e menos desconforto da dor. Entretanto, entre as mulheres com fibromialgia, esses efeitos ocorriam apenas se relatassem sentimentos e pensamentos positivos, o que indica a importância do controle da depressão nessas pacientes. Os resultados deste trabalho experimental fornecem suporte para relatórios anteriores sobre os benefícios da respiração e meditação no controle da dor. No entanto, pacientes com dor crônica podem necessitar de mais orientação para obter o benefício terapêutico através da respiração reduzida. Referência: Zautra AJ, Fasman R, Davis MC, Craig AD.The effects of slow breathing on affective responses to pain stimuli: an experimental study. Pain. 2010 1:12-8.
Boletim: 116 Ano: 10
Ocorrência nº 2:
Alimentação balanceada auxilia no combate à dor crônica
De acordo com a nutricionista Camila Próspera, do Instituto do Coração (INCOR), em São Paulo, pessoas que sofrem com dores crônicas, como pacientes com fibromialgia (dores musculares e articulares generalizadas), por exemplo, podem ter seu quadro amenizado após adotarem uma alimentação adequada. Segundo a profissional, o triptofano, um aminoácido presente em alguns alimentos como carnes magras, leite desnatado e banana, é responsável pela síntese de vários neurotransmissores associados à sensibilidade dolorosa e à sensação de bem-estar. Outros alimentos, ricos em magnésio (espinafre, soja, aveia e tomate), ácido fólico (laranja, maçã e folhas verdes), cálcio (leite, iogurte e queijos magros), selênio (castanhas, nozes, atum e semente de girassol) e carboidratos (presentes nas frutas, pães, batata e cereais), também auxiliam no combate à dor. Contudo, o efeito desses nutrientes não é imediato. Também vale a pena lembrar que a alimentação adequada pode ser útil para combater o excesso de peso, já que é bastante comum o paciente engordar pelo uso de remédios e falta de atividade física devido à dor. Embora se considere a imediata sensação de energia proporcionada pela ingestão de açúcar, o pico nos níveis de glicose no sangue leva, posteriormente, à sensação de fadiga e “moleza”. Doenças que levam a dores crônicas podem ser provocadas por distúrbios infecciosos, reumatológicos, neurológicos e psiquiátricos, sendo diversas vezes tratadas com medicamentos antidepressivos associados a analgésicos e atividades físicas, o que é eficiente para produzir alívio das dores por promoverem o aumento do fluxo sanguíneo e relaxamento dos músculos. Assim, a alimentação corretamente balanceada pode ser considerada uma aliada a esses procedimentos, diminuindo a dor e, possivelmente, reduzindo a quantidade de medicamentos necessária para induzir analgesia. (IRS)
Boletim: 107 Ano: 9
Ocorrência nº 3:
Está com dor? Tome vitamina D!
Após analisar alguns estudos clínicos, especialistas norte-americanos observaram que pacientes que apresentam dores crônicas e fadiga apresentam também deficiência de vitamina D. Além disso, a falta do nutriente foi associada a doenças como fibromialgia, reumatismo, osteoartrite, hiperestesia, enxaqueca, entre outros distúrbios. Segundo o autor e editor da revista Pain Treatment Topics, quando a suplementação da vitamina é suficiente, há redução da dor. A relação entre a falta do nutriente e as dores musculares, esqueléticas e articulares está ligada aos níveis de cálcio circulante, que são insuficientes devido à deficiência de vitamina D. Ainda, de acordo com a matéria, a recomendação atual de dose diária de vitamina D (600 UI - unidades internacionais) não é o suficiente, e os autores sugerem 1000 UI por dia, sendo que pessoas com dores crônicas podem se beneficiar de 2000 UI. Referência do estudo original: Stewart B. Leavitt. Vitamin D for Chronic Pain. Practical PAIN MANAGEMENT, July/August 2008. Fonte: Pain Treatment Topics, http://pain-topics.org/
Boletim: 105 Ano: 9
Ocorrência nº 4:
Será que a fibromialgia não é mais uma doença invisível?
A fibromialgia é caracterizada por dor muscular generalizada, fadiga e pontos dolorosos sensíveis à pequena pressão, localizados no pescoço, nas costas, nas clavículas e extremidades superiores e inferiores. Pesquisadores franceses, usando tomografia computadorizada, um método que mede o fluxo sanguíneo no cérebro, detectaram anormalidades localizadas em determinadas regiões cerebrais. E daí? O fato de que, na fibromialgia, as imagens musculoesqueléticas são negativas, levou à denominação de “síndrome invisível”. Todavia, já se observara anteriormente que algumas áreas cerebrais de pacientes fibromiálgicos apresentavam fluxo de sangue exagerado, enquanto que, em outras regiões, esse fluxo estava bastante diminuído. O líder do estudo, Eric Gueldj, estudando estatisticamente as imagens obtidas de todo o cérebro, e comparando sua atividade funcional com vários parâmetros relacionados com a dor (ansiedade, depressão, desabilidades, por exemplo), confirmou estas observações iniciais. Além disso, relacionou esses dados à seriedade dos casos, observando que havia maior fluxo sanguíneo nas áreas cerebrais que discriminam a intensidade da dor, porém circulação diminuída nas áreas que consideradas serem associadas às respostas emocionais à dor. Contudo, não foi encontrada relação entre anormalidades no fluxo sanguíneo e depressão e ansiedade. Fonte: Science Centric, 3, November 2008 Comentário original: http://www.sciencecentric.com/news/article.php?q=08110336
Boletim: 103 Ano: 9
Ocorrência nº 5:
Ser mulher também significa ter mais dor
As mulheres sentem mais dor do que os homens, de acordo com diversos estudos que investigam a epidemiologia da dor. Por exemplo, para cada cinco mulheres com enxaqueca, há um homem, segundo matéria publicada no jornal O Estado de São Paulo no mês passado. Outro exemplo é a fibromialgia, doença que acomete quatro mulheres para cada homem. Entre as principais dores mais observadas nas mulheres estão a dor nos ombros, na coluna vertebral e na região pélvica, além da enxaqueca, fibromialgia e distúrbios na articulação temporomandibular (ATM). Isso sem mencionar as dores específicas do gênero, como as cólicas menstruais e aquelas presentes durante a gestação e o parto. Mas quais são os motivos para essa maior incidência na população feminina? Apesar dos estudos serem ainda pouco conclusivos, a hipótese atualmente aceita é relacionada à variação dos níveis do hormônio feminino (estrógeno), cuja flutuação poderia fazer com que as mulheres percebessem a dor de maneira diferente. Vale também ressaltar que, em muitos países, as mulheres recebem menos tratamento para dor, devido a fatores culturais, econômicos e políticos. Diante deste cenário, a Associação Internacional para o Estudo da Dor (IASP), com apoio de diversas associações mundiais, lançou em 2007/2008 uma campanha internacional em prol do combate à dor na mulher. Esta importante iniciativa visa aumentar o conhecimento sobre essas condições dolorosas, incluindo os sinais e sintomas mais relevantes, relacionando-as principalmente à maior incidência nas mulheres. Além disso, procurará incentivar pesquisas na área da dor relacionadas ao gênero, visando, também, o desenvolvimento de tratamentos específicos para a população feminina. Fonte: Problema afeta mais as mulheres do que os homens. Jornal O Estado de São Paulo, 27 de abril de 2008 - pA28. Maiores informações no site da Sociedade Brasileira para o Estudo da Dor ( www.dor.org.br ).
Boletim: 94 Ano: 2008
Ocorrência nº 6:
Pacientes fibromiálgicos com sintomas semelhantes a dores neuropáticas apresentam melhora durante tratamento com anticonvulsivante – doses menores diminuem o risco de efeitos indesejados e a possibilidade de abandono do tratamento
Os sintomas mais comumente associados à fibromialgia (FM) são dor generalizada, fadiga, sono não-restaurador e sensação de inchaço em partes moles. Além disso, os pacientes costumam apresentar alterações na percepção da dor, relatando a presença de alodinia (“dor causada por estímulos que antes não causavam dor”), queimação, parestesias e/ou choques, sintomas estes comuns em casos de dores de origem neuropática (aquelas causadas por lesão ou disfunção do sistema nervoso central e/ou periférico). Segundo diversos estudos sobre os mecanismos fisiopatológicos da fibromialgia, um conjunto de fatores leva a essa amplificação da dor, embora se acredite que a sensibilização central provocada por uma disfunção neuroendócrina seja um dos maiores responsáveis pelos sintomas. Assim, como o tratamento de dores neuropáticas muitas vezes é realizado com medicamentos de ação central, como anticonvulsivantes, por exemplo, pacientes fibromiálgicos com sintomas semelhantes foram tratados com gabapentina. Foi utilizada a dose de 300mg/dia, a qual foi aumentada a cada 15 dias, atingindo-se a dose máxima de 900mg/dia, e a intensidade da dor e a qualidade do sono foram analisadas. Dos 30 pacientes observados no estudo, 29 apresentaram melhora no sono e diminuição da dor - 27 relataram 80% do alívio da dor e 3 referiram melhora inferior a 50% em 72 dias de tratamento. Nenhum deles referiu efeitos adversos. É importante dizer que os pacientes escolhidos também não apresentavam depressão, o que foi levado em consideração na análise dos resultados obtidos. Assim, as seguintes conclusões foram tiradas pelos autores: a) a gabapentina apresenta resultados satisfatórios em pacientes fibromiágicos na ausência de depressão; b) doses menores de gabapentina podem ser usadas para o tratamento da dor, reduzindo a chance de incidência de efeitos colaterais e possível abandono do tratamento. Além disso, ela parece auxiliar a melhorar a qualidade do sono em pacientes com fibromialgia. Finalmente, a estabilidade dos resultados por longo período (4 anos) mostrou que essa pode ser uma boa opção para tratamento de pacientes com FM que apresentam esses sintomas semelhantes a dores neuropáticas. Trabalho original: Anticonvulsivante no tratamento da fibromialgia (FM): uma nova opção terapêutica - Trabalho 164-1 Autores e procedência do estudo: Maria Teresa Rolim Jalbut Jacob (Centro de Terapia da Dor), Luiz Gonzaga Jacob (Centro de Terapia da Dor), Beatriz Jalbut Jacob (Acadêmica da Faculdade de Medicina de Jundiaí).
Boletim: 89 Ano: 2007
Ocorrência nº 7:
Suplementos nutricionais naturais glicosamina e metilsulfonilmetano (MSM) também podem ajudar a melhorar a dor e a inflamação
As substâncias glicosamina e metilsulfonilmetano (MSM) são suplementos nutricionais naturais utilizados também como tratamentos alternativos para alguns tipos de dor e inflamação. Estudados desde o início de 1980, sua ação sobre o processo de reparo tecidual tem aumentado o interesse dos pesquisadores, que demonstraram que a glicosamina, precursor da formação de condroitina, estimula células da cartilagem a sintetizarem glicosaminoglicanas e proteoglicanas, o que é essencial para reconstituição da cartilagem de articulações perdida por traumas, osteoartrite ou doenças degenerativas, acompanhadas de dor. Por ser uma molécula pequena, é facilmente absorvida, sendo que 98% do sulfato de glicosamina administrado é absorvido (cerca de 1% dos pacientes apresentaram efeitos indesejáveis como dor epigástrica, diarréias, náuseas e outros efeitos colaterais segundo um estudo recente). Pode ser administrada em pílulas, líquidos, injeções intramusculares e, mais recentemente, também pode ser encontrada na forma para uso tópico. Um estudo realizado há pouco tempo na Europa, chamado GUIDE (de “Glucosamine Unum In Die Efficacy”), comparou 300 indivíduos com osteoartrite no joelho tratados aleatoriamente durante 6 meses com sulfato de glicosamina (SG) - por via oral, na dose de 1500 mg, uma vez por dia - ou com o antiinflamatório não-esteroidal paracetamol - por via oral, na dose de 1000 mg, três vezes ao dia - e revelou que os grupos tratados com o SG apresentaram menor dor que os tratados com paracetamol. Segundo os autores do estudo, os resultados indicam que a proteoglicana é eficaz para o controle da dor na osteoartrite, além de também mostrar que indivíduos tratados com SG precisam de menos medicamentos (ibuprofen em crises agudas, por exemplo) e fisioterapia, pois o medicamento previne não só a degradação da cartilagem como também a dor e a rigidez associadas à doença. Este tratamento com glicosamina foi validado pelo American College of Rheumatology em 1999. Veja mais em nosso Baú (alerta 3, Edição 74 de 2006; alerta 11, Edição 34 de 2003; alerta 10, Edição 12 de 2001). Com relação ao suplemento metilsulfonilmetano (MSM), é um produto natural, presente em todos os organismos vivos, incluindo os fluidos do corpo humano e tecidos, e obtido através da dieta. Interessantemente, o composto, que possui em sua composição o enxofre (sendo chamado também de “composto natural de enxofre”), é tão importante para o organismo quanto a vitamina C em nossa dieta. Entretanto é importante lembrar que esta substância é muito diferente dos sulfitos usados para preservar alimentos e não deve ser confundida com as drogas à base de sulfa, causadoras de alergias em algumas pessoas. Pesquisas têm mostrado que o MSM facilita a passagem de fluidos através dos tecidos e pode atuar como reparador de pele danificada, sendo que seu declínio, de acordo com a idade, resulta em fadiga, má função de tecidos e órgãos e aumento da suscetibilidade a doenças. Considerando seu efeito sobre a dor, foi observada redução dos sintomas e melhora da dor em 80% dos pacientes que usaram MSM. Segundo o livro “O milagre do MSM”, escrito pelo médico M. Lawrence, Professor Clínico Assistente da Universidade da Califórnia em Los Angeles (UCLA), que já tratou mais de 1000 pacientes com MSM, esse suplemento pode ser um remédio natural para osteoartrite, artrite reumatóide, fibromialgia, tendinite, bursite, lesões esportivas, síndrome do túnel do carpo, inflamação pós-traumática e dor, incluindo dor de cabeça, dor nas costas e alergias, além de outros benefícios também relatados. Aparentemente, o MSM seria "tão seguro quanto a água, e o corpo usaria apenas o necessário, eliminando o restante em 12 horas", completa. É possível encontrar compostos que contenham glucosamina ou MSM associadas a outros diversos suprimentos disponíveis comercialmente. Embora a literatura científica tenha dado suporte ao uso da glucosamina e MSM como redutor dos sintomas e reparador de tecidos e músculos danificados e articulações, certamente ainda são necessários mais estudos, nos quais diferentes formulações, dosagens e condições musculoesqueléticas possam ser comparadas, a fim de compreendermos melhor as limitações destes produtos suplementos nutricionais. Fonte: Back Pain Site ( www.1backpain.com ); GOOGLE ( www.google.com ) Referências: 1. Encyclopedia of Nutricional Supplements, p. 341; 2. MJ Tapadinhas, IC Rivera, AA Bignamini. Oral glucosamine sulphate in the management of arthrosis: report on a multi-centre open investigation in Portugal. Pharmacotherapeutica 1982 3: 157-68; 3. Mindell EL. The MSM Miracle, Enhance your health with organic sulfur; 4. M. Lawrence, M.D., Ph. D, Sanchez, D. C., C.C.S.P.,Grossman, D.C. Lignisul. MSM(Methylsulfonylmethane) in the treatment of acute athletica injuries.
Boletim: 87 Ano: 2007
Ocorrência nº 8:
Alternativas contra a dor da fibromialgia – dois artigos, reproduzidos aqui na íntegra, trazem informações úteis sobre a fibromialgia e como a doença deve ser focalizada atualmente
A: Alternativa contra a dor - Tratamento para fibromialgia vai além dos remédios; especialistas indicam exercícios físicos e terapias complementares, como ioga, terapia e acupuntura, para aliviar crises: “Para descrever as dores que sente, a cuidadora de idosos Benedita Aparecida Anselmo, 51, evoca um quadro de Frida Kahlo (1907-1954). No auto-retrato "A Coluna Quebrada", a artista mexicana refletiu o sofrimento decorrente de um problema grave na coluna pintando seu corpo todo perfurado por pregos. Benedita tem fibromialgia, síndrome caracterizada por fisgadas dolorosas que aparecem em diversas partes do corpo. Depois de confundir as dores com as relacionadas a uma cirurgia de quadril, ela recebeu o diagnóstico por meio dos pontos de pressão. Hoje, sete anos depois do diagnóstico, ela aprendeu a usar vias alternativas para amenizar as dores e a conviver com a síndrome. Para ficar bem, conta com medicamentos e, principalmente, com atividades físicas. "Há um ano e meio, faço sessões curtas de alongamento e de caminhada, além de hidroginástica uma vez por semana. Quando estou ativa, sinto menos dor", conta. Em média, a fibromialgia atinge 2,5% dos brasileiros e aparece com mais freqüência em mulheres (na proporção de nove para cada homem), principalmente dos 30 aos 50 anos de idade. Suas causas ainda são pouco conhecidas. "Sabe-se que fatores genéticos e estresses do dia-a-dia desempenham um papel no desenvolvimento da síndrome" disse à Folha Richard Harris, pesquisador do centro de dor crônica e fadiga da Universidade de Michigan, nos EUA. A instituição divulgou, na semana passada, um estudo que mostra que os fibromiálgicos não respondem a analgésicos comuns, especialmente aos opiáceos, porque seus receptores cerebrais, responsáveis por processar e amortecer os sinais de dor, atuam de forma diferente da de outras pessoas. Em outro artigo, divulgado em dezembro de 2006, Harris citou que os fibromiálgicos têm atividade cerebral mais elevada e anomalias nas estruturas centrais do cérebro. "Acredita-se que haja um erro na interpretação do sistema nervoso central que gera uma percepção anormal da dor, mas ainda é uma hipótese", acrescenta o reumatologista Roberto Heymann, presidente da comissão de dor, fibromialgia e outras síndromes dolorosas de partes moles da Sociedade Brasileira de Reumatologia. Apesar de a descoberta da cura para a síndrome parecer distante, especialistas preconizam um tratamento multidisciplinar que alivie as dores. Entre os medicamentos, os antidepressivos apresentam os melhores resultados, mas provocam efeitos colaterais e são de difícil adequação, o que acaba exigindo que o paciente troque de substância várias vezes, até encontrar uma com a qual se adapte melhor. Segundo Heymann, os remédios podem ser eficientes em casos leves - mas a melhor forma de tratar os sintomas é focar na qualidade de vida e buscar outras terapias. Conheça a seguir alguns tratamentos que podem ajudar a aliviar a dor - e saiba como os fibromiálgicos podem tirar o melhor proveito deles. Entenda a síndrome: Atinge 5% da população mundial; Afeta mais as mulheres (90% dos casos); É mais freqüente dos 30 aos 50 anos de idade; Não tem causa conhecida; Dores difusas no corpo, fadiga física ou mental sem causa aparente e alterações no sono são os sintomas mais comuns; Outros incômodos freqüentes são distúrbios intestinais, disfunção da ATM (articulação temporo-mandibular) e dores de cabeça. Alguns tratamentos: Exercícios: uma das características do fibromiálgico é a fadiga constante, que pode ser amenizada com a atividade física. A secretária Aurineide de Almeida Manoo, 35, praticava natação, mas parou e o corpo sentiu. "Quando nadava, sentia-me mais disposta. Parei e voltei a me sentir cansada. Preciso voltar a me exercitar." O reumatologista Daniel Feldman, professor-adjunto da Unifesp (Universidade Federal de São Paulo), afirma que a atividade física é essencial e melhora a qualidade de vida do paciente em 20%, feito que o medicamento, sozinho, não consegue. Exercícios aliados ao medicamento minimizam os sintomas em até 80% dos casos. "A experiência mostra que a caminhada tem os melhores resultados com esses pacientes", complementa. O fibromiálgico deve ter disciplina e ser persistente. Alguns especialistas acreditam que 30 minutos de caminhada em ritmo confortável, no mínimo três vezes por semana, traga bons resultados. Outros dizem que a sessão deve durar o tempo que o paciente agüentar. "Pode começar com cinco minutos e progredir de acordo com a evolução do condicionamento físico", diz o reumatologista José Knoplich, autor do livro "Fibromialgia: Dor e Fadiga" (ed. Yendis). Muitos pacientes preferem a hidroginástica, pois sentem menos impacto e mais conforto dentro d'água. Outras atividades mais intensas, como natação e musculação, também podem trazer benefícios, mas os limites do corpo devem ser respeitados. "A pessoa deve começar aos poucos a caminhada e ir aumentando a carga de acordo com o preparo físico. Se, depois de um tempo, ela se sentir bem com exercícios de médio impacto, nada a impede de praticá-los", diz Feldman, que aponta controvérsias com relação à musculação. "Os estudos são bastante controversos. É preciso equilíbrio para não provocar ainda mais dor." Exercícios de alongamento aumentam a flexibilidade e melhoram a postura. "A conscientização corporal ajuda o paciente a reconhecer onde a musculatura está mais contraída. Ele aprende a relaxá-la e fica com a postura mais correta", diz a reumatologista Laís Verderame Lage, do serviço de reumatologia do Hospital das Clínicas da USP (Universidade de São Paulo). Ioga e meditação: recentemente, pesquisadores da Universidade da Basiléia, na Suíça, propuseram meditação profunda como forma de aliviar as dores e melhorar a qualidade de vida dos fibromiálgicos. O estudo, realizado com 58 mulheres com a síndrome, mostrou que a prática as ajudou a lidar melhor com as fases dolorosas e a diminuir a percepção da dor. "Toda técnica de relaxamento é benéfica para o tratamento, uma vez que propicia a conscientização corporal", explica Laís Lage, do HC. A ioga também tem se mostrado eficaz para minimizar os sintomas, especialmente por facilitar a meditação. O relaxamento proporcionado pela técnica melhora o quadro do paciente e promove a autoconsciência do corpo. No entanto, é preciso respeitar os limites: não se deve competir com o a pessoa que está do lado nem forçar a barra para ficar em posições que sejam desconfortáveis. Terapia: Os médicos concordam que a fibromialgia atinge pessoas perfeccionistas, que tendem a centralizar as responsabilidades. Isso gera ansiedade e pode levar a uma contração muscular intensa e constante, que piora as dores. É aí que a terapia pode ajudar o paciente a se sentir melhor. Ao se auto-avaliar, ele aprende a ser menos exigente e se sente mais relaxado. O tratamento psicológico não alivia diretamente a dor, mas ajuda a melhorar a relação com a síndrome, o que pode fazer com que ele sinta menos dor. "A sensação de perda de um corpo saudável é um tipo de luto, e a análise ajuda a trabalhar melhor essa situação", afirma o psicanalista Armando Colognese, do departamento de formação em psicanálise do Instituto Sedes Sapientiae. Todas as correntes psicoterapêuticas podem trazer bons resultados, mas os especialistas afirmam que a terapia cognitivo-comportamental é mais objetiva e traz respostas mais rápidas. "Ela sugere que a pessoa aprenda a lidar com as conseqüências de seu problema, e isso melhora seu relacionamento com a síndrome. Mas é mais superficial", diz Feldman, da Unifesp. De acordo com José Oswaldo de Oliveira Jr., neurocirurgião funcional do grupo de dor crônica do Hospital Alemão Oswaldo Cruz, a hipnose também é eficiente e diminui o uso de medicamentos. O grupo de dor do hospital utiliza ainda o chamado "biofeedback". Segundo Oliveira Jr., o procedimento auxilia a monitorar a contratura muscular e funciona como um treinamento para manter os músculos mais relaxados, o que também pode amenizar a dor. Massagem e calor: Em geral, as técnicas de massagem trazem alívio temporário e são indicadas para relaxar a musculatura. Como não há uma modalidade que comprovadamente supere as outras, o importante é escolher as que trazem bem-estar - e buscar terapias mais suaves, para não sentir ainda mais dor. Outro método muito utilizado para relaxar os músculos é esquentar a região dolorida. O calor proporciona dilatação dos vasos sangüíneos, melhora a nutrição do músculo e causa relaxamento. Muitos pacientes observam que, quando o corpo está muito rígido, um banho quente ou uma bolsa com água aquecida pode ajudar. Para Feldman, da Unifesp, entretanto, o calor não é eficaz para dores da fibromialgia. Segundo o reumatologista, o método alivia apenas dores decorrentes de outros processos, como maljeito muscular e inflamações. Acupuntura: a técnica tem se mostrado benéfica em cerca de 40% dos casos, se aplicada em conjunto com outros tratamentos. Um novo estudo realizado durante dois anos com 58 mulheres pela médica Rosa Targino de Araújo também apontou que a técnica melhora a qualidade de vida dos fibromiálgicos. A pesquisa, feita para sua tese de doutorado e defendida em agosto na Faculdade de Medicina da USP, indica que 20 sessões, realizadas duas vezes por semana, podem trazer efeitos por até três meses. As agulhas ativam o sistema nervoso periférico e provocam liberação de endorfina, dopamina e serotonina, substâncias com efeito analgésico, de acordo com Hong Jin Pai, médico acupunturista do centro de dor da clínica de neurologia do Hospital das Clínicas da USP. Os efeitos, segundo o especialista, duram em média quatro dias. Por isso, são indicadas duas sessões semanais no primeiro mês de tratamento. "A acupuntura tem efeito cumulativo e o paciente pode receber alta do segundo ao quarto mês." Amélia Pasqual Marques, professora de fisioterapia da Faculdade de Medicina da USP e autora principal do livro "Fibromialgia e Fisioterapia: Avaliação e Tratamento" (ed. Manole), também ressalta que pesquisas recentes mostraram melhora na qualidade do sono dos fibromiálgicos - que costumam ter problemas para dormir bem e se sentem cansados, como se nunca repousassem profundamente. Como a técnica não oferece bons resultados a todos os fibromiálgicos, deve-se observar o progresso do tratamento. "Os resultados começam a aparecer depois da terceira sessão, com pico de melhora a partir da sexta. Se não houver melhora até então, provavelmente a acupuntura não será o melhor tratamento para esse paciente", explica Feldman, da Unifesp. Fibromiálgicos que não se sentem confortáveis com as agulhas devem evitar a acupuntura, uma vez que podem ficar mais tensos e desenvolver quadros de dor mais intensa.” (Julliane Silveira) B: Liberdade "De repente, soltaram-se os grilhões e ele se libertou". Mesmo sem uma despedida formal, afastou-se rapidamente. Deixou tudo que não fosse ele, inclusive o próprio corpo, pois, de agora em diante, nada disso ter-lhe-ia qualquer utilidade. Sabíamos que isso iria acontecer em breve, mas, diante do fato consumado, sempre fica o espanto. Nunca estamos plenamente preparados para uma condição definitiva, o que a torna sempre inesperada. Conseguiu atingir os 80 anos. Não foi a idade, porém, que o limitou. Foi o tempo de doença, precocemente manifesta e inadequadamente tratada na fase inicial, que determinou esses três últimos anos de limitação. Serááááá? (como ele sempre questionava, prolongando a vogal final). Hoje não há mais dúvidas. Uma mesma enfermidade crônica causa piores conseqüências quando perdura mal tratada dos 40 aos 60, por exemplo, do que quando é bem cuidada ou se manifesta após essa idade. São bons exemplos o diabetes, a hipertensão arterial, a obesidade e a depressão. Curiosamente, porém, as doenças crônicas são, em geral, muito mais valorizadas entre os idosos, visto que, erroneamente, entende-se que os mais jovens podem conviver com elas sem prejuízos. Ainda nos escondemos, muitos, na ilusão de que os problemas de saúde dos outros nunca ocorrerão conosco. Assim ele viveu mais da metade de sua vida, visto que já fora avisado de que algo precisava de atenção especial desde os 36, sofreu o primeiro susto aos 46 e, daí em diante, a cada período, um novo evento lhe avisava de que os limites estavam se restringindo. Se analisada à luz do conhecimento atual, torna-se evidente que essa evolução poderia ter sido diferente, contendo a voracidade da doença e se preparando para uma liberdade menos ampla no futuro. Esses conceitos, porém, não eram tão claros poucas décadas atrás. Certamente, isso fez com que a dieta ficasse sempre para amanhã, o uso correto dos remédios fosse respeitado só nos períodos pós-complicações e a tolerância aos novos limites nunca fosse levada a sério. Quem o conheceu entende isso facilmente. Ele, que sempre valorizou o prazer de ir e vir, de estar a cada instante em um lugar diferente, de não se prender à nenhuma outra vontade que não à sua, não admitia ter de se submeter àquilo que, na época de poucos sintomas, parecia-lhe injustificado. Nos anos recentes, porém, quando cada ação precisava de uma ajuda, a vida lhe deixou de ser prazerosa. Assemelhava-se a uma ave acostumada a longos vôos aprisionada em uma minúscula gaiola. Dessa condição só poderia advir uma insatisfação, manifesta com a rejeição por tudo e por todos que representavam as malhas de sua cerca funcional. Mesmo descontente, permitiu-nos comemorar o seu octogésimo aniversário. Seu espírito, porém, ansiava por ser liberto do corpo doente que o aprisionava. Assim aconteceu, poucas semanas depois, serenamente, cercado pelos seus e ainda com planos de voltar a dirigir seu carro. Se não conseguimos fazê-lo entender a tempo a importância de planejar o futuro, creio que fomos capazes de lhe permitir ser fiel ao seu passado.” (Wilson Jacob Filho) Fonte: Folha de São Paulo, quinta-feira, 04 de outubro de 2007 - http://www1.folha.uol.com.br/fsp/equilibrio/eq0410200701.htm
Boletim: 87 Ano: 2007
Ocorrência nº 9:
Doses homeopáticas de hormônios ajudam a aliviar dores de difícil tratamento
De acordo com resultados de um estudo anunciado por pesquisadores americanos do Instituto Roby, doses homeopáticas (ou seja, em quantidades bastante diluídas) do hormônio progesterona apresentam bons resultados no alívio da tensão pré-menstrual (TPM), de sintomas de fibromialgia, da dor “fantasma”, ansiedade e perda de memória. Além disso, resultados positivos foram observados também em casos de doenças como diabetes, artrite, endometriose, entre outras. Segundo o cientista Russell Roby, esse tipo de tratamento “reduz a concentração de adrenalina corporal capaz de ativar vários problemas, entre os quais a dor “fantasma”, que é uma exacerbação da dor causada pelo excesso desse hormônio no organismo”. O tratamento proposto “reduz a dor exarcebada pela adrenalina, uma vez que age na região da dor no cérebro”, completa. O uso da terapia hormonal, que foi patenteada pelos pesquisadores do Instituto, auxilia até mesmo a terapia de síndromes difíceis de tratar, como a fibromialgia, a qual atinge mais de 4 milhões de pessoas no Brasil, sendo que 90% destes pacientes são mulheres acima dos 40 anos de idade.
Boletim: 86 Ano: 2007
Ocorrência nº 10:
Empresa Eli Lilly pede liberação de medicamento antidepressivo para tratamento de casos de fibromialgia
A empresa Eli Lilly encaminhou pedido de liberação do medicamento Cymbalta para tratamento de casos de fibromialgia. Este medicamento possui como princípio ativo a Duloxetina, um antidepressivo que tem sido sugerido possuir ação sobre casos de dores de difícil tratamento. Publicado pelo site www.farmacia.com.pt , a matéria exposta no link abaixo aborda com ênfase essa nova opção para alívio dos sintomas associados à fibromialgia.
Boletim: 86 Ano: 2007
Ocorrência nº 11:
Primeira droga específica para o tratamento da fibromialgia é aprovada nos EUA
O órgão responsável pela avaliação e aprovação de drogas nos Estados Unidos, a FDA (de Food and Drug Administration), aprovou recentemente a droga Lyrica (ou pregabalina), a primeira droga específica para o tratamento da fibromialgia, uma desordem caracterizada por dor, fadiga e problemas do sono. A eficácia do medicamento foi testada em um estudo do tipo “duplo-cego” (no qual nem os pacientes nem os pesquisadores sabiam que medicamento estava sendo administrado), envolvendo cerca de 1800 pacientes, que mostrou que doses de 300 a 450 mg/dia do Lyrica reduziram a dor melhorando, assim, as funções diárias de alguns pacientes com essa doença. No entanto, pouco se sabe ainda sobre os mecanismos pelos quais ela produz estes efeitos.
Boletim: 86 Ano: 2007
Ocorrência nº 12:
Como saber que a dor apresentada pelo paciente realmente é causada por fibromialgia? - a confusão de sintomas parecidos com de outras doenças dificulta o diagnóstico correto
Embora a doença conhecida como fibromialgia seja considerada uma desordem sistêmica que afeta cerca de 2 a 4% da população mundial e muitos avanços já tenham sido realizados com relação ao seu entendimento, ainda existem muitos pontos obscuros a serem esclarecidos, desde sua definição correta e métodos de diagnóstico mais precisos até se a dor apresentada por indivíduos supostamente “fibromiálgicos” existe mesmo. Dessa forma, várias pesquisas são feitas nesse sentido e seus resultados têm se mostrado bastante interessantes. Por exemplo, verificou-se que sua ocorrência em mulheres é 1,5 vez maior que em homens, apesar da chance destes últimos apresentarem menor quantidade de locais dolorosos em sua anatomia seja cerca de 10 vezes maior. Esse fato dificulta o diagnóstico em homens, já que, pela definição da Sociedade de Reumatologistas norte-americana, um indivíduo com fibromialgia deve apresentar pelo menos dois sintomas concomitantes: 1) dor crônica espalhada por todos os quadrantes do corpo e no esqueleto axial, e 2) presença de 11, dos 18 determinados, pontos dolorosos. Esta classificação foi criada para uniformizar o estudo da fibromialgia ao redor do mundo, mas vem sendo negligenciada na prática clínica. Um exemplo disso é que existem múltiplas evidências da origem neurobiológica de dores e de síndromes classificadas como idiopáticas (como a síndrome do intestino irritável, a enxaqueca tensional, as disfunções temporomandibulares) que compartilham sintomas e mecanismos extremamente similares aos da fibromialgia, o que pode levar muitas vezes a diagnósticos errôneos e tratamentos equivocados. Em trabalho recentemente publicado, essas evidências, as quais se baseiam em dados farmacológicos, estudos de neuroimagem funcional e exames genéticos, são discutidas com ênfase na diferenciação da fibromialgia desses quadros e a importância de seu conhecimento para estabelecimento do diagnóstico correto da doença. Autores e procedência do estudo: Richard E. Harris & Daniel J. Clauw - Department of Medicine, Division of Rheumatology, University of Michigan Medical Center, USA. Referência: How do we know that the pain in fibromyalgia is “real”? Current Pain And Headache Reports 2006 (6):403-7.
Boletim: 81 Ano: 2007
Ocorrência nº 13:
Palestra revisa evidências experimentais que demonstram perda de neurônios corticais induzida por dores crônicas
Trabalho apresentado na forma de palestra por A. V. Apkarian, do departamento de fisiologia da Northwestern University, nos Estados Unidos, revisou dados que demonstram alterações na concentração de metabólitos e na densidade de massa cinzenta em regiões específicas do cérebro induzidas por dores crônicas, evidenciadas por meio de estudos morfométricos e espectrometria em humanos. Os dados sugerem que o cérebro perde neurônios em taxas maiores que durante o envelhecimento em regiões específicas aparentemente relacionadas somente às dores crônicas. Além disso, resultados mais recentes sugerem que a atrofia do cérebro é diferente dependendo do tipo de dor crônica, como observado, por exemplo, nos casos induzidos por dor nas costas e naquela observada na fibromialgia, ou na síndrome da dor complexa regional. O autor ainda discute as implicações clínicas e as anormalidades cognitivas apresentadas por esses pacientes, relacionando a atrofia verificada e alterações na atividade cerebral, e o possível envolvimento, observado em modelos experimentais animais, de receptores NMDA corticais e de alterações na expressão de interleucinas nas dores crônicas de origem neuropática. - Resumo 17 (MAR) Autores e procedência do estudo: A.V. Apkarian - Department of Physiology, Northwestern University, Chicago, IL, USA.
Boletim: 78 Ano: 2007
Ocorrência nº 14:
Fibromialgia concomitante à enxaqueca atinge mais mulheres que homens
A fibromialgia é uma síndrome caracterizada por dor difusa, com duração superior a três meses, e dor branda em locais específicos, chamados de pontos sensíveis. Sua causa, entretanto, permanece desconhecida. Um trabalho publicado no periódico Cephalalgia avaliou a prevalência e a severidade da fibromialgia entre pacientes que sofrem de enxaqueca. Noventa e dois pacientes (20 homens e 72 mulheres) que se enquadravam nos critérios da Sociedade Internacional de Dores de Cabeça para enxaqueca com e sem aura foram avaliados. Além das dores de cabeça e da história de dor, foram registrados também, pela palpação com os polegares, os pontos sensíveis. O diagnóstico de fibromialgia se baseou nos critérios de classificação para a doença estabelecidos pelo Colégio Americano de Reumatologia. Dezesseis (22,2%) das mulheres avaliadas e nenhum dos homens foram diagnosticados como sofredores de fibromialgia. A severidade da enxaqueca e suas características foram similares às de outras pacientes com enxaqueca. Pacientes sofredores de enxaqueca e fibromialgia normalmente possuem baixos níveis de qualidade de vida e altos níveis de stress mental. Outros estudos também mostraram uma alta incidência de fibromialgia entre mulheres com enxaqueca, mas não em homens. Os autores concluem que a coexistência de fibromialgia deve ser um fator importante a ser considerado no momento da escolha da terapia profilática para enxaqueca. Referência: Cephalalgia: an international journal of headache; 2006 Apr 1;26(4).
Boletim: 69 Ano: 2006
Ocorrência nº 15:
Pacientes com fibromialgia apresentam sensibilidade à dor e percepção olfatória alteradas
Pesquisadores canadenses mostraram que pacientes de ambos os sexos e de várias idades portadores de fibromialgia reportam dor mais intensamente, em resposta a estímulos térmicos nocivos, que indivíduos sãos. Além disso, mostraram que esses pacientes também exibem alterações na percepção olfatória. Autores e procedência do estudo: K.M.Sauro1,2; G.J.Bennett1,3; M.Bushnell1,3; M.Fitzcharles1,4 - 1. Center for Research on Pain, McGill University, Montreal, Canada; 2. Neurology and Neurosurgery, McGill University, Montreal, Canada; 3. Anesthesia, McGill University, Montreal, Canada; 4. Rheumatology, McGill University, Montreal, Canadá (SPON: M. Catherine Bushnell). Referência: (1249-P119) Fibromyalgia patients show altered pain and olfactory perception.
Boletim: 66 Ano: 2006
Ocorrência nº 16:
Agonista dopaminérgico é eficaz em inibir os sintomas da fibromialgia
O pramipexole é um agonista do receptor de dopamina tipo D3 utilizado para tratamento da doença de Parkinson e da síndrome da perna inquieta. A causa da síndrome da perna inquieta não é conhecida, mas esta é mais comumente encontrada em pacientes que têm fibromialgia do que em indivíduos saudáveis. Baseados nestas informações, Holman e Myers, pesquisadores americanos, avaliaram o efeito do pramipexole em pacientes com fibromialgia. No estudo, 60 pacientes com fibromialgia foram tratados diariamente, durante 14 semanas, com 4.5 mg de pramipexole ou placebo por via oral. A dor foi avaliada pela escala visual analógica e, os demais sintomas (função física, depressão, ansiedade, sono, fadiga e rigidez), pelo Fibromyalgia Impact Questionnaire (FIQ). Os resultados obtidos mostraram que, comparados ao grupo placebo, os pacientes que receberam pramipexole apresentaram melhora significativa da dor, fadiga e atividades de vida diárias. Apesar de sintomas adversos como ansiedade transitória e perda de peso associados ao uso da droga terem sido detectados, nenhum paciente abandonou o estudo pela ineficácia do tratamento ou, mesmo, pelos sintomas apresentados. Os autores sugerem, com base nestes dados, que esta pode ser uma droga alternativa para o tratamento da dor decorrente da fibromialgia. Autores: Andrew J. Holman, MD, Robin R. Myers, MS, ARNP: Pacific Rheumatology Associates, Renton, Washington. Referência: A Randomized, Double-Blind, Placebo-Controlled Trial of Pramipexole, a Dopamine Agonist, in Patients With Fibromyalgia Receiving Concomitant Medications. ARTHRITIS & RHEUMATISM Vol. 52, No. 8, August 2005, pp 2495–2505.
Boletim: 63 Ano: 2005
Ocorrência nº 17:
Dor crônica e depressão: diferenciando aspectos sensoriais e emocionais da dor
A ocorrência de distúrbios depressivos é maior em pacientes com dores crônicas do que no restante da população. O motivo deste aumento de incidência é desconhecido, porém existem hipóteses de que um distúrbio poderia causar o outro ou que um mesmo fator poderia predispor o indivíduo às duas patologias. Para verificar a relação entre dor crônica e depressão, Giesecke e cols. avaliaram, através de ressonância magnética funcional, as áreas cerebrais ativadas por estímulo doloroso de mesma intensidade em pacientes com fibromialgia, relacionando estas áreas e a intensidade dolorosa reportada pelos pacientes ao nível de depressão diagnosticada. O aspecto interessante observado pelos autores é que a depressão não interfere com os aspectos sensoriais e discriminatórios (localização e intensidade da dor reportada), mas está relacionada com um aumento da ativação de áreas cerebrais que processam o aspecto afetivo e emocional da dor. O estudo sugere que existem processamentos paralelos, e de certa forma independentes, dos aspectos sensoriais e emocionais da dor e que talvez o tratamento com antidepressivos em pacientes com dores crônicas atue somente no aspecto emocional da dor. Nota da redação: Esse trabalho é interessante tanto pela relação entre a dor e a depressão quanto pela diferenciação entre o aspecto sensorial e emocional da dor. Por este estudo pode-se imaginar que uma pessoa deprimida tem a mesma sensação dolorosa que os demais, mas esta dor seria mais desagradável devido ao aumento do processamento emocional. Referência: Relationship Between Depression, Clinical Pain, and Experimental Pain in a Chronic Pain Cohort. Arthritis & Rheumatism, 2005;52(5):15771584.
Boletim: 59 Ano: 2005
Ocorrência nº 18:
Pacientes com fibromialgia e síndrome da fadiga crônica podem realizar atividades físicas sem aumentar sintomas como dor e fadiga
A fibromialgia (FM) e a síndrome da fadiga crônica (SFC) comumente são associadas à incapacidade física. Pacientes portadores destas patologias relatam que a prática de atividade física contribui para o aumento da severidade dos sintomas. De fato, diversos estudos retrospectivos, nos quais os próprios pacientes descrevem os sintomas após a realização de atividade física, já demonstraram que esta associação, geralmente, é debilitante. O estudo em questão, no entanto, demonstra que pacientes com FM e SFC têm o nível médio de atividade física similar às pessoas sem essa condição. O trabalho foi realizado com 38 pacientes (29 portadores de FM e 9 portadores de SFC), e 27 voluntários saudáveis e sedentários, e avaliou como as atividades de rotina e exercícios de alto nível (como por exemplo, corrida) interferem na severidade de sintomas como dor e fadiga e em alterações do sono. Em suma, os autores demonstraram que, quando comparados a voluntários saudáveis, pacientes com FM e SFC não apresentaram exacerbação dos sintomas após períodos de atividade física, o que ressalta a importância de que exercícios físicos moderados são essenciais para o bem estar destes pacientes.
Boletim: 57 Ano: 2005
Ocorrência nº 19:
Estudo da atividade cerebral de pacientes submetidos à hipnose indica que alguns tipos de dor podem ter origem no cérebro
Estudo publicado na revista científica NeuroImage por cientistas do Colégio Universitário de Londres (Inglaterra) em conjunto com pesquisadores do Centro Médico de Pittsburgh (EUA), concluiu que alguns tipos de dor, como a lombalgia crônica e fibromialgia, podem ter origem no cérebro. Durante o estudo, voluntários submetidos à hipnose foram induzidos a sentir dor, e a atividade cerebral, observada via ressonância magnética funcional, foi semelhante àquela observada em pacientes que sentiram dor provocada por contato com calor de 48.5°C. Segundo David Oakley, um dos idealizadores do estudo, “o fato de que a hipnose foi capaz de induzir uma experiência genuinamente dolorosa sugere que algumas dores podem ter origem nas nossas mentes”.
Boletim: 55 Ano: 2005
Ocorrência nº 20:
Síndrome da perna inquieta
A síndrome da perna inquieta causa dores articulares intensas e está geralmente associada aos sintomas da fibromialgia. Nesta patologia tratada pelos reumatologistas, a dor é causada pelo movimento, muitas vezes involuntário, das pernas, o que também impede de conciliar o sono. O movimento ocorre devido a uma sensação desconfortável durante o repouso, que piora durante a noite. Em um trabalho realizado em Helsinki com 100 pacientes, nos quais 50 receberam 0,40mg de um agonista de receptores para dopamina ao deitar (grupo A) e 50 receberam placebo (grupo B), todos os pacientes do grupo A tiveram sono normal e 30 pacientes apresentaram melhora total dos sintomas da síndrome da perna inquieta contra 5 pacientes do grupo B que relataram melhora do quadro. Happe e Trenkwalder, do Departamento de Neurofisiologia Clínica da Universidade de Gottingen, na Alemanha, relatam que drogas agonistas de receptores para dopamina como ropinirola, pramipexol e cabergolina, têm sido largamente usadas neste tratamento, devido à sua efetividade e propriedade de aliviar as dores em 70-90% dos pacientes. Uma nova formulação não-oral (transdérmica) de um agonista de receptores dopaminérgicos foi recentemente desenvolvida e vem se mostrando eficaz no tratamento da síndrome da perna inquieta. As pesquisas no momento estão focalizando os efeitos a longo prazo e comparações com outros agonistas dopaminérgicos em tratamentos semelhantes deverão ser feitas em breve. Referência: CNS Drugs. 2004; 18 (1): 27-36
Boletim: 46 Ano: 2004
Ocorrência nº 21:
Fibromialgia é parte de um amplo espectro de síndromes disfuncionais que cursam com dor generalizada
Pesquisadores da Medical University Ulm, na Alemanha, publicaram recentemente estudo no qual procuraram examinar os conceitos nosológicos da fibromialgia em uma amostra da população. Foi enviado questionário sobre dores reumáticas e queixas não-específicas a 3.174 mulheres que residiam em Bad Säckingen (Alemanha), com idades entre 35 e 74 anos. Posteriormente, uma amostra aleatória de 653 pacientes foi cuidadosamente analisada clinicamente. A prevalência de dor corporal difusa crônica, na população geral, foi de 13,5%. No ensaio clínico, a presença de pontos dolorosos associou-se à extensão da dor reumática e às queixas de dor corporal difusa. Os indivíduos que preencheram critérios para presença de pontos dolorosos sem história de dor difusa foram, então, avaliados e a análise estatística demonstrou que alguns sintomas podem ser associados ao risco de desenvolvimento destes pontos, como, por exemplo, mobilidade física restrita, dor e queixas corporais, enquanto outros sintomas foram associados ao risco de instalação de dor crônica difusa, como saúde debilitada associada a reações dolorosas emocionais, atividade restrita e alterações do sono. Os pesquisadores concluem que o conceito de fibromialgia "é parte de um amplo espectro de síndromes disfuncionais" e questionam a relevância da história de dor difusa para o diagnóstico de fibromialgia e o conceito de fibromialgia como desordem de origem reumática. Referência: Rheumatology 2003; 42: 829-83
Boletim: 38 Ano: 2003
Ocorrência nº 22:
Fibromialgia pode mascarar doenças autoimunes
Doenças autoimunes podem produzir sintomatologia dolorosa que pode ser confundida com fibromialgia (FM). Pesquisadores austríacos reavaliaram 10 pacientes diagnosticados como fibromiálgicos, que preenchiam todos os critérios para esta doença, e constataram que 9 destes pacientes eram portadores de doenças autoimunes, que incluíam Síndrome de Sjögren, artrite reumatóide e entesopatias (alteração em ligamentos periféricos ou inserções musculares). Os autores sugerem que pacientes com FM devem ser reavaliados periodicamente e que o diagnóstico deve ser concluído apenas quando for excluída a possibilidade do paciente ser portador de doença autoimune. (VAV) Referência: European Journal of Pain 7: 295-296, 2003.
Boletim: 37 Ano: 2003
Ocorrência nº 23:
Efeito da injeção intramuscular de granisetron (GRA) na dor muscular em pacientes com fibromialgia
Ernberg e cols., do Departamento de Fisiologia Oral Clínica do Instituto de Odontologia em Huddinge, Suécia, demonstraram que a injeção de GRA (antagonista de receptores 5-HT3, 1mg/ml) no músculo masséter de pacientes saudáveis reduz a dor induzida pela 5-HT. Posteriormente, a equipe realizou estudo para avaliar se o GRA pode influenciar a dor e alodinia/hiperalgesia em pacientes portadores de fibromialgia. Dezoito pacientes do sexo feminino que apresentavam critérios para fibromialgia de acordo com o Colégio Americano de Reumatologia participaram do estudo. Após a injeção de GRA, ou salina no lado contralateral, o limiar de dor à pressão foi avaliado visualmente e por algômetro eletrônico. Em seguida à administração do GRA o limiar de dor à pressão aumentou, enquanto que no lado onde foi injetada a salina o limiar não variou. Oito pacientes responderam à injeção de GRA com aumento do limiar de dor à pressão durante o período experimental. Em conclusão, os resultados deste estudo não provaram que a injeção de GRA no músculo masséter influencia na dor local em pacientes com fibromialgia. Referência: Pain 101(3): 275-282, 2003.
Boletim: 36 Ano: 2003
Ocorrência nº 24:
Fibromialgia: uma revisão
A fibromialgia é assunto de revisão publicada pelo site MD Consult (www.mdconsult.com). O sintoma predominante dessa doença são as dores músculo-esqueléticas difusas. Fadiga, depressão e distúrbios do sono também estão presentes. Os tratamentos disponíveis são limitados e a farmacoterapia é moderadamente eficaz no alívio das dores. Aplicada sozinha, é eficaz no tratamento da fibromialgia somente em uma minoria de pacientes e, freqüentemente, outros tratamentos são necessários. Embora pacientes relatem aumento inicial da dor, exercícios físicos apresentam claro benefício. Os exercícios devem aumentar gradualmente de intensidade e consistir de atividades de baixo impacto. A educação e a psicoterapia, em particular a terapia cognitiva-comportamental, constituem outras importantes maneiras de tratamento da fibromialgia. (VFP) Referência: Md Consult Medicine
Boletim: 35 Ano: 2003
Ocorrência nº 25:
Fibromialgia juvenil
Segundo o Colégio Americano de Reumatologia 25% dos pacientes com fibromialgia apresentam sintomas desde a infância. Os sintomas incluem dores musculoesqueléticas difusas, que atingem músculos e articulações de três ou mais regiões do corpo. A reumatologista Eliane Battani, do hospital São Luiz, em São Paulo, afirma que cerca de 26% das queixas de dores musculoesqueléticas difusas atendidas nos ambulatórios de reumatologia pediátrica enquadram-se nos critérios para o diagnóstico de fibromialgia, sendo confirmados mais da metade desses casos. A reumatologista Suely Roizenblatt, da Unifesp, investigou 120 pacientes com idade entre 10 e 12 anos no ambulatório de reumatologia pediátrica do Hospital São Paulo (SP). Neste estudo foi constatado que 71% das mães das 39 crianças diagnosticadas com fibromialgia juvenil também tinham a síndrome, indicando possível predisposição familiar para a fibromialgia.
Boletim: 34 Ano: 2003
Ocorrência nº 26:
Deficiência do sistema descendente de controle da dor em portadores de fibromialgia
Nancy Julien e cols., da Universidade de Quebec (Canadá), utilizaram a imersão do membro superior em água gelada para avaliar a resposta à dor de pacientes portadores de fibromialgia (30), lombalgia (18) e voluntários sadios (30). O teste de imersão foi realizado em duas sessões: uma ascendente (imersão do membro desde os dedos até o ombro) e outra descendente. Cada sessão incluiu 8 períodos de 2 min de imersão consecutivos separados por intervalo de repouso de 5 min. O membro superior foi arbitrariamente dividido em 8 segmentos. Os autores observaram que nos portadores de lombalgia e voluntários sadios a sessão de imersão descendente causou menos dor (em escala analógica visual - VAS) e desconforto que a imersão ascendente. Os pacientes com fibromialgia reportaram sistematicamente mais dor do que os dos demais grupos e não se observou diferenças entre os resultados obtidos nas duas sessões. Segundo os autores, as diferenças de comportamento dos grupos devem decorrer de falha de ativação do sistema descendente de controle da dor em portadores de fibromialgia que não foi plenamente ativado pelo estímulo nocivo. Referência: Abstracts - 10th World Congress of Pain® - Painel: 782-P52
Boletim: 30 Ano: 2003
Ocorrência nº 27:
Exercício aeróbico auxilia no tratamento da fibromialgia
Os exercícios aeróbicos podem aliviar a dor de pacientes com fibromialgia, segundo estudo comparativo realizado por pesquisadores ingleses. Neste estudo, 132 pacientes fibromiálgicos foram divididos em 2 grupos, sendo que cada grupo foi orientado a realizar exercícios aeróbicos ou de relaxamento durante 3 meses. Os pacientes que realizaram os exercícios aeróbicos mostraram melhoras significativamente maiores quando comparados com os pacientes que fizeram apenas exercícios de relaxamento, sugerindo que as atividades aeróbicas são mais indicadas para o alívio da dor em pacientes com fibromialgia.
Boletim: 25 Ano: 2002
Ocorrência nº 28:
Terapia da fibromialgia - massagem melhor que relaxamento
Comparando 24 pacientes selecionados aleatoriamente, foram realizadas sessões de 30 minutos de massagem ou relaxamento. Depois de 5 semanas, observou-se que somente o grupo que recebeu massagem terapêutica apresentou aumento no número de horas de sono, diminuição na frequência de movimentos durante o sono, queda nos níveis de substância P, em geral associados à presença de dor, e diminuição no número de trigger points (pontos de disparo). Os autores do estudo salientam que a comparação entre as terapias com efetividade no tratamento da fibromialgia é importante na escolha do melhor procedimento terapêutico.
Boletim: 23 Ano: 2002
Ocorrência nº 29:
Exercícios físicos e somação temporal da dor em pacientes fibromiálgicos
Pacientes portadores de fibromialgia (FMS) sofrem de dor crônica generalizada, com mecanismo ainda pouco conhecido em relação às alterações estruturais (anormalidades em tecidos periféricos) e origem da estimulação crônica de nociceptores. Processos fisiopatológicos centrais estão envolvidos, pelo menos em parte, com FMS. Em estudo com pacientes fibromiálgicos, Staud e cols. estudaram o efeito da somação temporal da dor (wind-up) após sucessivos estímulos térmicos. Encontraram evidências psicofisiológicas de que a transmissão da informação nociceptiva para o SNC possa estar alterada em pacientes portadores de FMS. A percepção da magnitude das respostas sensoriais tanto no primeiro estímulo quanto após uma série de estimulos foi maior em pacientes portadores de FMS quando comparados com pacientes controle. Após o último estímulo da série, os pacientes com FMS relataram dor mais intensa e duradoura à estimulação quando comparados com pacientes controle. Estes resultados, segundo os autores tem implicações na caracterização geral da dor e compreensão dos mecanismos fisiopatológicos da FMS. Em outro estudo do mesmo grupo, foi avaliado o efeito do exercício físico no alívio da dor em pacientes com FMS. Os exercícios ativam opióides endógenos e sistemas adrenérgicos, mas a atenuação da dor por exercícios não tem sido consistente experimentalmente. Utilizando o mesmo modelo experimental, os autores submeteram ainda os pacientes a exercícios controlados antes das estimulações térmicas. Em pacientes saudáveis, a somação temporal da sensação de dor foi atenuada quando os testes foram feitos 1.5 ou 10 minutos após exercícios, enquanto que, em pacientes com FMS houve exacerbação do quadro de dor crônica, sugerindo que mecanismos descendentes inibitórios do controle da dor possam estar alterados em pacientes portadores desta doença.
Boletim: 20 Ano: 2002
Ocorrência nº 30:
Redução funcional da proteína Gi pode ser a causa da fibromialgia
A etiopatogênese da fibromialgia (FM), uma síndrome caracterizada por dor e hiperalgesia disseminada, ainda é desconhecida. Sabendo-se do envolvimento das proteínas Gi na modulação da percepção da dor, pesquisadores do Departamento de Farmacologia da Universidade de Florença na Itália, investigaram as alterações funcionais da proteína Gi em pacientes com FM. Pacientes com FM e outras doenças que induzem dor como artrite reumatóide, osteoartrite e dor neuropática foram incluídos no estudo e utilizados como referência. A funcionalidade das proteínas Gi foi avaliada pela sua capacidade de inibir a adenilato ciclase ativada pelo forskolina (ativador da adenilato ciclase) em linfócitos do sangue periférico. Pacientes com FM apresentaram hipofunção das proteínas Gi, o que não foi observado nos pacientes com artrite reumatóide, osteoartrite ou dor neuropática. Além disso, pacientes com FM apresentaram aumento dos níveis basais de AMPc. O aumento do AMPc nos neurônios sensitivos primários constitui um dos componentes bioquímicos da hiperalgesia inflamatória. A hipofunção da proteína Gi é a primeira alteração bioquímica observada em pacientes com fibromialgia, a qual pode estar envolvida na patogenia dessa síndrome. O aumento dos níveis basais de AMPc e a hipofuncionalidade da proteína Gi, após ativação da adenilato ciclase, poderão vir a serem utilizados para diagnosticar pacientes com FM.
Boletim: 18 Ano: 2002
Ocorrência nº 31:
Exercícios em água aquecida contra a fibromialgia
Baseada num programa de exercícios em piscina aquecida, uma terapia canadense alivia a dor difusa da fibromialgia. O sedentarismo agrava o quadro ao reduzir a circulação periférica, desta forma, atividades físicas que não forcem a musculatura, mas melhorem as condições aeróbica e cardiovascular do paciente são indicadas. Os músculos do paciente com fibromialgia têm déficit de oxigênio e precisam de recondicionamento. A terapia, de duração mínima de três meses, inclui exercícios de baixa intensidade, aquecimento e alongamento dentro da água aquecida.
Boletim: 18 Ano: 2002
Ocorrência nº 32:
Fibromialgia e serotonina
Em recente publicação na Revista Saúde! (Editora Abril) foi revelado o resultado de pesquisa sueca que detectou a presença de anticorpos contra serotonina em mulheres com fibromialgia. A presença de anticorpos contra serotonina altera a neurotransmissão serotoninérgica o que foi associada ao desenvolvimento de quadros dolorosos em pacientes fibromiálgicos. Entretanto, revisões recentes feitas por Alnigenis e Barland, da Divisão de Reumatologia do Departamento de Medicina do Colégio de Medicina Albert Einstein de Nova Iorque, dissociam essas alterações do metabolismo e da transmissão serotoninérgica da fisiopatologia da fibromialgia, o que torna o envolvimento da mesma ainda inconclusivo.
Boletim: 15 Ano: 2001
Ocorrência nº 33:
Envolvimento das citocinas na etiopatogenia da fibromialgia
Pacientes portadores de fibromialgia (FM) crônica e aguda foram avaliados e comparados com indivíduos controles de mesma idade e sexo. A produção de citocinas, dentre elas IL-8 e moléculas relacionadas foram medidas no soro ou no sobrenadante de cultura de células mononucleares periféricas sanguíneas (PBMC). Não foram encontradas diferenças entre indivíduos com FM e controles para as concentrações de IL-1 beta, IL-2, IL-10, receptor sérico IL-2, IFN-gama (interferon gama) e TNF-alfa (fator de necrose tumoral alfa). Níveis séricos de IL-8 e de IL-6 no sobrenadante de PBMC estimuladas foram maiores do que nos controles (particularmente em FM com mais de 2 anos de sintomas). Uma vez que o IL-8 promove dor simpática e a IL-6 induz hiperalgesia, fadiga e depressão, os autores sugerem que estas interleucinas hiperalgésicas poderiam estar envolvidas na modulação dos sintomas da fibromialgia.
Boletim: 13 Ano: 2001



http://www.dol.inf.br/Asp/Busca1.asp

.:: DOL - Dor On Line ::.

http://www.dol.inf.br

NOSSO LAR - O filme baseado na obra de Chico Xavier

http://www.nossolarofilme.com.br/
È digno de toda luz, obra e contribuição, a todas as idades.
Um filme brasileiro, que responde aos melhores níveis entre o que já foi produzido.
Só assistindo pra saber o quanto lhe fará bem compreender o mundo ecumênico.

11 de set. de 2010

Eckhart Tolle

Assunto:  Natureza por Eckart Tolle, escritor do livro “O Poder do Agora “

Depois de se formar pela Universidade de Londres, tornou-se pesquisador e supervisor da Universidade de Cambridge. Quando tinha 29 anos, uma profunda transformação espiritual dissolveu sua antiga identidade e mudou o curso de sua vida de forma radical. Os anos seguintes foram dedicados ao entendimento, integração e aprofundamento desta transformação, que marcou o início de uma intensa jornada interior.

As influências das quais são aludidas ao livro "O Poder do Agora" são as escritas de Meister Eckhart, Advaita Vedanta, "Um Curso Em Milagres" e o Lin-chi de Budismo Zen (Rinzai), uma "alquimia interior" descrita em religiões do oriente médio. O livro também interpreta declarações de Jesus da Bíblia e o apelo ao estado de graça, pela misericordia divina, descrita pelo Apóstolo Paulo em suas cartas. Seu último bestseller foi "A New Earth" e seu mais novo livro é "Despertar da Consciência".



http://www.eckharttolletv.com


http://sollk.multiply.com/tag/eckhart%20tolle


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Mandalas musicais

http://www.light-weaver.com/slide2/a.html

Abram o site para apreciar as mandalas musicais.
Mais do que isso - abram o site e deixem-no nos seus favoritos - a musica é fantástica (vá até o final da página se desejar alterar). Você pode trabalhar no seu micro deixando a musica tocar. Tem mensagens maravilhosas de RUMI e livros inteiros da Teosofia - muito bom mesmo. Boa diversão.

Moving Mandalas and Geometric Animations from Light Weaver


http://www.light-weaver.com/slide2/a.html

9 de set. de 2010

DESCOBERTAS E INVENÇÕES

http://www.cdcc.sc.usp.br/escolas/juliano/descobertas.htm

A CHAVE DE TUDO




Teoria das Cordas e das Supercordas: http://youtu.be/qBeDSFLxpW8



A chave de tudo

A resposta para todas as perguntas. A equação que resolve todas as questões. Dos sólidos de Platão às supercordas da física atual, refaça conosco a fantástica viagem da ciência em busca do seu Santo Graal: a teoria de tudo
Helio Gurovitz


Pitágoras dizia que era a harmonia musical. Platão acreditava nos sólidos perfeitos. Newton e Einstein, no espaço, no movimento e na energia. Os físicos de hoje, em – o nome é este mesmo – supercordas. Desde que o mundo é mundo, os cientistas sonham com o dia em que toda a realidade caberá numa formulação simples e elegante, com o momento em que tudo o que existe, existiu ou existirá poderá ser entendido e explicado por uma espécie de teoria de tudo: completa, imune a contradições e paradoxos e, acima de qualquer suspeita, real. Até hoje, quem teve mais sucesso na empreitada foi o finado Tim Maia, que resumiu numa única frase – "tudo é tudo e nada é nada" – a confusão sem fim que é explicar este ou qualquer outro Universo. Mas as tentativas dos físicos e matemáticos em busca da teoria de tudo, embora não caibam em detalhes nestas poucas páginas, contam uma das histórias mais fascinantes do pensamento humano, de seus ideais e seu alcance, de suas conquistas e limitações.
"Tudo são números." Atribuída a Pitágoras de Samos, na Grécia antiga, essa frase pode ser considerada o início da busca dos homens por uma explicação lógica, precisa e racional para os fenômenos da natureza. Pitágoras, afirmam os especialistas, teria descoberto que harmonias sonoras podiam ser explicadas pelas proporções entre o comprimento das cordas musicais. Com base nos números, construiu todo um arcabouço de idéias matemáticas que resultaram no célebre teorema de Pitágoras, aquele mesmo que todos aprendemos na escola, o dos catetos e da hipotenusa (que, em grego antigo, também significa "a corda estendida"). Os intervalos musicais descobertos pelos pitagóricos em suas cordas estendidas (a oitava, a quinta e a quarta) estão presentes até hoje na música ocidental e serviram para que eles construíssem um modelo para o Universo em que tudo era resultado da "harmonia das esferas", fruto dos números.
Cordas vibrando e gerando diferentes harmonias também são a base da teoria mais atual da física moderna para explicar o Universo, chamada teoria das supercordas. Como as idéias de Pitágoras influenciaram físicos do século 21?
É preciso ir devagar. Primeiro, as idéias pitagóricas tiveram profunda influência sobre aquele que é tido como o primeiro filósofo grego: Platão. É dele a concepção que norteia até hoje a ciência moderna: a noção de que as idéias existem independentemente das coisas e de que é função do pensamento tentar pescar no mundo das idéias as explicações e teorias. Sobre essa noção foi construída toda uma visão de que a geometria e a matemática têm, por assim dizer, vida própria. Que elas são reais, independentemente da nossa capacidade de entendê-las. O modelo de Universo de Platão, descrito no diálogo Timeu, ainda não falava em átomos ou partículas, tampouco em cordas ou supercordas. Para ele, o mundo era resultado de formas geométricas perfeitas (os cinco sólidos de Platão que ilustram estas páginas). Quatro deles – hexaedro, tetradedro, octaedro e icosaedro – seriam constituintes dos quatro elementos: terra, fogo, ar e água, respectivamente.
O dodecaedro representava o quinto elemento, ou quintessência, por ser o único que não poderia ser gerado a partir de triângulos (o triângulo era uma espécie de partícula fundamental para Platão). O dodecaedro deveria, portanto, estar presente em tudo. Com a descoberta dos átomos e partículas fundamentais, no século 19, o Universo de Platão rolou ribanceira abaixo. Entretanto, até hoje, toda e qualquer teoria que se proponha a explicar tudo deve a Platão a noção de que, no tal mundo das idéias, estão as explicações. Caberia a nós, meros mortais, buscá-las.
Mais de 2 mil anos depois das fantasias platônicas, o inglês Isaac Newton escreveu no monumental Principia Mathematica, base da física clássica: "Toda a diversidade das coisas criadas, cada uma em seu lugar e tempo, só poderia ter surgido das idéias e da vontade de um ser necessariamente existente". Mais que um simples eco de Platão, também podemos ler em Newton o desejo de ver o mundo por meio da geometria e dos números, como Pitágoras. O Universo newtoniano funcionava com base na atração entre os corpos, regida pela lei da gravitação. Era a gravidade que explicava todos os movimentos. Newton também descreveu a luz como uma sucessão de partículas sujeitas às suas leis. Ao contrário das idéias dos gregos, suas teses foram verificadas experimentalmente. E, a partir daí, as estrelas e as esferas nunca mais foram as mesmas.
O poder das idéias newtonianas ao prever o movimento dos corpos celestes e ao dar nascimento à mecânica e à engenharia moderna foi tão grande, que ficou célebre a constatação do físico britânico William Thomson, o Lord Kelvin, no final do século 19, de que nada mais havia a se descobrir na física, só restava fazer medições mais precisas. "As futuras verdades da física devem ser procuradas na sexta casa decimal", teria dito Kelvin. A tal teoria de tudo estava pronta, baseada nas idéias de Newton sobre o movimento e a luz e em algumas outras teorias de James Maxwell e Kelvin sobre a transmissão de calor, eletricidade e energia então em voga.
Kelvin, hoje sabemos, estava enganado. Redonda, profunda e vergonhosamente enganado. Não só havia muito, muito mais a descobrir, como o século 20 virou de cabeça para baixo toda a física pensada nos 2 500 anos anteriores (dos gregos a Newton) e recolocou o sonho de uma teoria de tudo no mundo dos sonhos – de onde, por sinal, ele só tem tentado sair recentemente com a tal teoria das supercordas. As ambições de físicos, matemáticos e de todos os herdeiros dos ideais platônicos foram postas em xeque por uma série de dificuldades teóricas e contradições experimentais. Algumas delas foram resolvidas, outras permanecem abertas até hoje.
E o sucesso de teorias como a das supercordas para resolvê-las, ainda que possa até ser verificado em um futuro não muito distante, não deve nos iludir: tudo continua sendo coisa demais para caber numa fórmula e, talvez, possa ser econômica ou experimentalmente inviável verificar muitas das idéias hoje candidatas a teoria de tudo, a última e derradeira explicação para o princípio, o meio e o fim deste Universo – e também de outros.
No século 19, a primeira contradição observada nos princípios de Newton se referia à velocidade da luz. A mecânica newtoniana estabelecia que as velocidades de dois corpos em movimento em relação a um observador devem ser somadas. Se algo em movimento emite luz, então a velocidade da luz emitida deveria ser somada à velocidade do movimento em relação ao observador parado. Só que isso não correspondia às conclusões derivadas das teorias desenvolvidas para a eletricidade. Albert Einstein resolveu esse paradoxo por meio da teoria da relatividade restrita, em que ele postulava que a velocidade da luz era constante e não poderia ser somada a outras velocidades. Nada poderia ser acelerado acima da velocidade da luz. O trabalho de Einstein também confirmou a natureza corpuscular da luz, e as partículas que a constituíam foram chamadas de fótons.
Só que a presença dos fótons davam margem a uma outra contradição com as idéias de Newton e seus seguidores. Ei-la: se nada pode ser acelerado além da velocidade da luz e se os corpos se atraem de acordo com as leis da gravitação, como explicar que essa atração ocorra instantaneamente? Como a informação gravitacional poderia viajar de um corpo a outro a uma velocidade infinita, portanto superior à dos fótons de luz? Para resolver essa contradição, Einstein teve de modificar completamente as teorias sobre a gravitação. Ele postulou que o universo que todos conhecemos com três dimensões – em que todos os objetos têm comprimento, largura e altura – é, na verdade, a manifestação concreta de um outro universo, o real, em que existe uma quarta dimensão: o tempo. Nesse universo de quatro dimensões, chamado espaço-tempo, toda matéria causa uma deformação, ou uma espécie de curvatura. A força gravitacional seria, de acordo com Einstein, a manifestação de todas as curvaturas geradas pela matéria.
A atração entre os corpos seria, portanto, uma propriedade geométrica do espaço-tempo: eles como que "escorregariam" um em direção ao outro por causa dessas curvaturas. Quando foi possível medir experimentalmente o desvio de um raio de luz no céu de um eclipse, supostamente causado pela curvatura do espaço-tempo gerada pela massa do Sol, Einstein se tornou uma celebridade mundial. A física de Newton não passava de um caso especial de uma teoria mais abrangente para explicar todas as coisas: a teoria da relatividade geral de Albert Einstein.
Mas o físico alemão naturalizado americano não estava satisfeito. Havia uma série de outras contradições que suas teorias eram incapazes de resolver. As partículas minúsculas – como o fóton, a partícula de luz, ou o elétron, a partícula concebida para explicar a eletricidade e o magnetismo – eram dotadas de um comportamento extremamente bizarro. Em 1803, Thomas Young havia demonstrado que, ao deixar luz atravessar duas minúsculas fendas e depois iluminar um filme fotográfico do outro lado, era possível verificar no filme um padrão de interferência entre os dois raios de luz. Para explicar isso, os físicos imaginavam que as partículas de luz poderiam se propagar como ondas que interferiam umas nas outras, assim como as ondas sonoras. No século 20, porém, foi realizado um outro experimento, em que se deixava apenas um fóton de luz atravessar cada fenda.
Para surpresa de todos, ainda foi possível observar o padrão de interferência no filme. Isso significava que cada partícula de luz teria, ela própria, uma natureza ondulatória, capaz de interferir no movimento das outras.
Para explicar a natureza dessas partículas e como elas poderiam se mover e trocar energia, os físicos desenvolveram uma teoria chamada mecânica quântica. Ela tinha duas características peculiares. A primeira era postular que tais partículas só poderiam ocupar um certo número de estados energéticos fixos e que elas trocariam energia por meio de pacotes, batizados quanta. Assim, o fóton deixava de ser uma mera partícula de luz para se tornar o quanta das ondas de luz. A segunda característica era que, desenvolvidas sobretudo por Niels Bohr, Werner Heisenberg e Paul Dirac, as equações por meio das quais a mecânica quântica descrevia o movimento de "ondas-partículas" como fótons e elétrons postulavam, devido à natureza ambivalente desses objetos, que era impossível conhecer simultaneamente sua posição e sua velocidade.
A medição precisa de uma dessas quantidades implicava incerteza na medição da outra, que se transformava apenas numa gama de probabilidades. Conhecido como princípio da incerteza, essa tese de Heisenberg revoltava físicos como o próprio Einstein.
Ele tentou minar os pressupostos da mecânica quântica por meio de um experimento imaginário, concebido com seus colegas Nathan Rosen e Boris Podolsky. O experimento Einstein-Podolsky-Rosen, ou EPR, como ficou conhecido, imaginava o decaimento de uma partícula em duas outras que, de acordo com as equações quânticas, gerariam duas nuvens de probabilidades no espaço, mas girariam em sentidos opostos quando detectadas. Depois de viajar por milhões de anos-luz, Einstein, Podolsky e Rosen supuseram que um observador medisse uma das partículas, de modo que ela assumisse um dos estados previstos em sua onda de probabilidades. Ora, por força das leis do decaimento, a outra partícula deveria instantaneamente assumir o estado oposto, isto é, girar na direção contrária. Mas como ela saberia isso imediatamente a milhões de anos-luz de distância, se nada pode ultrapassar a velocidade da luz? Estava aí uma contradição evidente entre a relatividade de Einstein e a mecânica quântica.
Portanto, afimavam Einstein, Podolsky e Rosen, o princípio da incerteza deveria estar errado e toda a mecânica quântica precisaria ser revista.
Seguiu-se a isso um intenso debate entre Einstein e Bohr, talvez o maior da física do século 20. Um debate que teve conseqüências decisivas sobre a concepção de ciência derivada das idéias de Platão e sobre o possível alcance de uma teoria de tudo. Pela primeira vez desde Platão, havia um ingrediente novo. O mundo das idéias, embora representado pela nuvem de probabilidades das partículas quânticas, não dava conta de prever tudo.
O observador, ou a simples existência de um observador, interferia e alterava o resultado do experimento. O conhecimento sobre um dado da natureza poderia modificar a própria natureza. Era isso que Einstein não conseguia aceitar. Bohr e seus seguidores acreditavam que o presente só é capaz de nos dar conhecimento sobre diferentes futuros possíveis. Tudo o que podemos fazer, diziam eles, é calcular probabilidades. Mais que isso, Bohr ainda afirmava que não é necessariamente verdade que todas as coisas tenham propriedades como velocidade, posição, tamanho ou massa com valores definidos em todos os momentos. Einstein, com sua célebre frase "não acredito que Deus jogue dados com o universo", era contrário às duas posições. Ele tinha uma postura ao mesmo tempo realista (tudo pode ser medido) e determinista (tudo pode ser previsto teoricamente). Bohr era a um só tempo antideterminista e anti-realista.
Para ele, tudo aquilo a que a ciência poderia almejar era o conhecimento das probabilidades de resultados experimentais. Para Einstein, era a compreensão dos segredos por trás do funcionamento da natureza, de por que as coisas eram de um jeito e não de outro. A questão de Bohr era apenas "o quê?"; a de Einstein, "por quê?". E Einstein perdeu.
Ele queria descobrir uma teoria capaz de unificar as forças conhecidas até então, gravitação e eletromagnetismo, numa única força. Mas morreu sem formular sua tão sonhada teoria do campo unificado. E, à medida que as teorias quânticas começaram a ser verificadas experimentalmente, toda a concepção científica de Einstein foi posta em xeque. A unificação das forças numa espécie de teoria de tudo não deixava, no entanto, de ser um sonho da física. A interação das partículas, descobriram os físicos do século 20, se dava no universo por meio não de duas, mas de quatro forças: a força nuclear forte (tão forte que é responsável pela energia solar e pela coesão do átomo de hidrogênio que se desfaz na explosão de uma bomba H), a força nuclear fraca (responsável pela radioatividade e por alguns tipos de radiação e fenômenos físico-químicos), a força eletromagnética (presente na eletricidade e nos ímãs) e a força gravitacional.
Os físicos modernos já conseguiram, no ramo da física conhecido como teoria quântica de campos, integrar as três primeiras forças teoricamente e mostrar que elas são resultado de uma única "superforça", chamada força eletrofraca.
Com base nas tais probabilidades de Bohr e Heisenberg e na unificação das três forças, os físicos também mapearam toda a fauna de partículas elementares, naquilo que ficou conhecido como modelo-padrão. De acordo com esse modelo, todas as partículas quânticas (não só fótons e elétrons, mas também os prótons e nêutrons que formam o núcleo dos átomos e toda uma fauna estranha de múons, bósons e quejandos que os físicos descobrem nos aceleradores de partículas) são derivadas de três famílias de partículas ainda mais elementares, chamadas léptons e quarks (e também há uma partícula adicional chamada bóson de Higgs). Todos os léptons e quarks previstos pelo modelo-padrão já foram verificados experimentalmente nos aceleradores de partículas. Além disso, o modelo-padrão e a teoria quântica de campos são perfeitamente compatíveis com a teoria da relatividade restrita de Einstein, aquela que postula que nada pode ultrapassar a velocidade da luz.
Só falta integrar a isso tudo a força gravitacional, a teoria da relatividade geral e a curvatura do espaço-tempo. Ou faltava. Apesar de o paradoxo EPR continuar sendo um exemplo da contradição fundamental entre a relatividade geral e a teoria quântica de campos, nas duas últimas décadas a tal teoria das supercordas tem dado esperança aos físicos de que eles, finalmente, estejam próximos de uma teoria de tudo.
Os pioneiros da teoria das supercordas, John Schwarz, Michael Green e Yoichiro Nambu, imaginam que o universo não seja formado por pontos em um espaço-tempo de quatro dimensões, como o imaginado por Einstein. Para eles, vivemos em um mundo de dez dimensões, em que minúsculas cordas, cujo comprimento é da ordem de um decilionésimo de centímetro (seriam necessárias um decilhão – ou 1 seguido de 33 zeros – de cordas para formar 1 centímetro), vibram nas dez dimensões para formar todas as partículas do modelo padrão e tudo o que conhecemos. Nada muito diferente do que Pitágoras imaginava há 2 500 anos com sua música das esferas. O que eles conseguiram com isso foi alcançar a integração da força gravitacional à teoria quântica de campos. Como? Além das quatro dimensões do espaço-tempo relativístico de Einstein, haveria outras seis, presentes no princípio do universo, que teriam sido compactadas a uma escala minúscula no mundo einsteiniano que somos capazes de verificar experimentalmente.
A vibração das cordas nessas seis dimensões seria responsável pelas propriedades quânticas, como a dualidade onda-partícula.
E, dessa forma, estaria alcançada a teoria do campo unificado tão sonhada por Einstein. A questão central é que, muito provavelmente, essa teoria não pode ser provada por meio de experiências nos aceleradores de partículas, cujo alcance se restringe a fenômenos da ordem de dez quatrilionésimos de centímetro (as cordas teriam de ser um quatrilhão – ou 1 seguido de 16 zeros – de vezes maiores para ser detectadas). Para ter uma prova perfeita da existência das cordas e das leis de simetrias que a regem seria preciso um nível de energia comparável ao do Big Bang, a explosão que, de acordo com a maioria dos físicos teóricos, teria dado origem ao universo.
A tentativa deles, portanto, é projetar algum tipo de experimento que seja viável com os aceleradores de partículas para detectar pelo menos pistas de que as tais cordas existam, como ressonâncias de suas vibrações. Porém, por enquanto, tudo isso não ultrapassou o campo das especulações.
E, se a teoria das supercordas é uma legítima reedição dos ideais de Pitágoras e Einstein, numa formulação compatível com o conhecimento experimental do século 21, também não faltam concepções mais ousadas para uma teoria de tudo. A mais criativa foi elaborada pelo americano Max Tegmark. Ele na verdade radicalizou a visão platônica de que as idéias existem independentemente da nossa capacidade de conhecê-las. Para Tegmark, toda e qualquer formulação matemática existe fisicamente. Assim, o teorema de Pitágoras, por exemplo, corresponde a um universo como o nosso, que existe de fato. O único senão é que esse universo talvez não tenha nenhum habitante com consciência, capaz de descrever seus fenômenos físicos. Dessa forma, se quisermos entender as leis do universo, precisamos não apenas considerar a interferência de observadores hipotéticos nos fenômenos físicos, mas entender as próprias leis da vida desses observadores.
"As condições para a vida especificarão as equações que governam nosso universo e nos dirão por que nenhuma outra lei é válida ou aplicável", diz Tegmark. Nosso universo não passaria de uma caixinha dentro de todas as possíveis teorias matemáticas, mas uma caixinha que foi capaz de gerar estruturas autoconscientes (nós). Todas as demais caixinhas também corresponderiam a realidades físicas. Além de as idéias habitarem um mundo independente, como queria Platão, nós não passaríamos de fruto das idéias, assim como a tradição oriental diz que o mundo não passa de um sonho de Buda.
Não é nova a idéia de múltiplos universos, ou de que na verdade não faz sentido falar num universo, mas apenas em multiversos. Para explicar o comportamento bizarro das partículas quânticas, por exemplo, havia duas interpretações: a de Copenhague, defendida pelo dinamarquês Bohr, que postulava a existência da nuvem de probabilidades dos possíveis estados, e a de Budapeste, defendida pelo húngaro John von Neumann, segundo a qual as possibilidades de trajetórias e velocidades de partículas existiam em múltiplos universos. Enquanto os defensores da interpretação de Copenhague enfatizavam nossa inerente limitação para detectar os fenômenos (pois as observações geram o colapso da nuvem de probabilidades em um único estado), os que acreditavam na interpretação de Budapeste afirmavam que as medições, e o conseqüente colapso, só ocorrem de fato dentro do cérebro. Seria, portanto, nossa mente que faz as partículas do universo adotarem um caminho e não o outro, uma posição e não a outra.
E, na verdade, elas adotariam todas as possibilidades em múltiplos universos. O quanto da nossa capacidade de entender e resumir tudo por meio do cérebro limita as possibilidades da nossa compreensão ou o quanto essa compreensão não passa de um reflexo de nossas próprias estruturas mentais é uma questão sem resposta. Não há uma explicação para o fenômeno da consciência, assim como ainda não há teoria capaz de explicar tudo o que há no universo. Se os dois sonhos são no fundo reflexo da mesma ilusão matemática, nem Tim Maia soube dizer.

Pitágoras (570-497 a.C.)
A "harmonia das esferas" era para os pitagóricos a origem de tudo. Com base na proporção entre os comprimentos das cordas musicais, Pitágoras descobriu os intervalos entre notas existentes até hoje na música. Ele também buscava nos números a explicação para o funcionamento de todo o universo.

Platão (427-348 a.C.)
Para ele, a explicação de como tudo existia estava nos cinco sólidos perfeitos: cubo, tetraedro, octaedro, icosaedro e dodecaedro. Os quatro primeiros estavam por trás dos quatro elementos (terra, fogo, ar e água), e ao dodecaedro correspondia um quinto elemento, a quintessência presente em tudo. Apesar de a teoria de Platão parecer, hoje, fantasiosa, a ciência moderna deve a ele a noção de que existem explicações independentes para as coisas.

Newton (1643-1727)
Fez uma descrição do universo que partia de equações matemáticas para explicar como os corpos se moviam e trocavam energia. Suas principais teorias foram capazes, pela primeira vez, de explicar a força gravitacional e acabaram dando origem a todo o avanço tecnológico por trás da Revolução Industrial.

Einstein (1879-1955)
No século 19, a experimentação mostrou que havia buracos nas teorias newtonianas. Einstein ampliou-as com as teorias da relatividade restrita e geral, postulando que nada poderia ultrapassar a velocidade da luz. Mas ele não conseguiu realizar seu sonho: construir uma teoria capaz de explicar todas as forças do universo por meio de uma única "superforça". A relatividade geral se mostrou contraditória quando aplicada ao mundo das partículas elementares. Hoje, a teoria das supercordas está perto de unir a força gravitacional e a relatividade geral com as demais forças do universo e realizar o sonho de Einstein.

Niels Bohr (1885-1962)
Ao explorar os mistérios do átomo, ele entrou em choque com a visão einsteiniana de que a missão da ciência era desvendar o porquê dos fenômenos naturais. Para Bohr, o máximo que se poderia obter é uma teoria que descreve como as coisas são.

Max Tegmark (1967)
O radical físico americano acredita que toda teoria matemática tem existência física em algum universo. Mas só em alguns deles haveria vida autoconsciente capaz de explicá-los. "Não somos nós que criamos a matemática", diz Tegmark, " foi a matemática que nos criou".

Na livraria
Fire in the Mind, George Johnson, First Vintage Books, 1996
Sonhos de uma Teoria Final, Steven Weinberg, Rocco, 1994

Na internet:
www.hep.upenn.edu/~max/toe.html
www.theory.caltech.edu/people/jhs/strings/index.html
www.msu.edu/user/malonemi/ibs333/quantum.html
www.flash.net/~csmith0/theryall.html


http://super.abril.com.br/superarquivo/2003/conteudo_275105.shtml

Incompletude: A Prova e o Paradoxo de Goumldel

Quando o filósofo alemão Friedrich Nietzsche afirmou que não há fatos, só interpretações, não poderia imaginar que poucas décadas depois seria confirmado por um matemático. Considerado um dos três grandes nomes das ciências exatas do século XX, o austríaco Kurt Goumldel apresentou, em 1930, aos 23 anos, seus dois teoremas da incompletude, que demonstram a existência de sentenças matemáticas indecidíveis, cujo paradoxo está em não poder ser nem provadas nem refutadas, ainda que, a partir de uma interpretação razoável, possam ser atestadas como verdadeiras.
Sua descoberta no campo da lógica matemática é comparável à teoria da relatividade, de Albert Einstein, e ao princípio da incerteza, de Werner Heisenberg. Juntos, os três abalaram o mito da objetividade científica. Os teoremas de Goumldel tiveram consequumlências para o pensamento sobre a natureza da verdade, do conhecimento e da certeza, como demonstra o livro "Incompletude: A Prova e o Paradoxo de Goumldel", em que a autora, Rebecca Goldstein, conta histórias saborosas e as idiossincrasias de um gênio louco, autor de descobertas matemáticas indecifráveis, em texto acessível a leitores leigos.
Os episódios pitorescos vão desde a sua fama de mulherengo - famosa no Círculo de Viena, onde todas as vezes que aparecia uma jovem bonita, estava procurando por ele - até sua total aversão a contatos pessoais. Sobre sua vida amorosa e sexual o relato é de um casamento tão estranho quanto surpreendente para um personagem sisudo: depois da morte do pai, o austríaco casou-se com uma prostituta a quem introduziu na sociedade americana, causando espécie pelas roupas espalhafatosas, não apenas estranhas ao ambiente acadêmico como absolutamente opostas ao estilo - ou à falta de estilo - social de Goumldel.
Capaz de passar horas ao telefone, sobretudo se o assunto fosse matemática, foi um personagem introspectivo, de poucos amigos e raros contatos pessoais em Princeton, a universidade americana na qual passou a maior parte da vida acadêmica. Apesar da diferença de idades, foi com Einstein, 27 anos mais velho, que Goumledel travou a maioria das conversas, pessoais ou científicas, em caminhadas diárias, em Nova Jersey, onde ambos compartilhavam, além do interesse acadêmico, o sentimento de exílio. Colegas no então recém-criado Instituto de Estudos Avançados, haviam fugido da Europa nazista durante a Segunda Guerra Mundial e, embora fossem tidos como muito diferentes, foram amigos inseparáveis. A companhia de Einstein, que deixou registrados muitos elogios ao austríaco, amenizou a hostilidade com que os pares de Goumldel o encaravam.
"A inevitável incompletude até de nossos sistemas formais de pensamento demonstra que não existe um fundamento sólido que sirva de base a qualquer sistema", argumenta Rebecca. Ela afirma ainda que a noção de verdade objetiva é um mito socialmente construído. No Brasil, sua obra teve repercussão em 1991, quando os pesquisadores Newton da Costa e Francisco Doria, respectivamente doutores em matemática e física, demonstraram que a indecidibilidade se aplica também à teoria do caos - trabalho reconhecido como inovador pela mais importante publicação científica do mundo, a revista "Nature". "Não existe um sistema de computador que possa distinguir o caos do não-caos", explica Doria, um dos muitos cientistas que discordam da idéia de que a teoria de Goumldel possa servir para abalar a objetividade.
O filósofo Jacques Derrida se valeu dos teoremas da incompletude para marcar seu pensamento pelos indecidíveis - palavra usada por ele pela primeira vez em "Disseminação", livro de 1971 em que faz referência a Goumldel. "Uma proposição indecidível, Goumldel a demonstrou, é uma proposição que, dado um sistema de axiomas, não é nem uma consequumlência analítica ou dedutível dos axiomas, nem está em contradição com eles, não é nem verdadeiro, nem falso do ponto de vista destes axiomas", escreveu o filósofo, que dali em diante demonstraria com os indecidíveis a fraqueza dos conceitos sobre os quais se apóia o conhecimento.
Para o professor Rafael Haddock-Lobo, pós-doutorando em filosofia na USP e autor do recém-lançado "Derrida e o Labirinto de Inscrições" (editora Zouk), a indecidibilidade que aparece em "Disseminação" é um marco no pensamento do filósofo. "É quando Derrida começa a formalizar este estranho lugar do discurso da desconstrução que surge a referência à Goumldel. Se não há esta plena certeza dos lugares, então todo discurso é, de certo modo, marginal, e deve assumir esta indecidibilidade. Em sua leitura de Goumldel, Derrida vai propor que se leve em consideração não mais a lógica tradicional do "ou isto ou aquilo", que regulou todo o pensamento ocidental, mas outra lógica que embarace estes termos tão pretensamente bem definidos", explica.
Em Derrida, os paradoxos que os teoremas da incompletude apontam são incorporados e fazem parte das questões filosóficas que discute. "Esse movimento requer uma paixão pelos paradoxos e uma vontade de permanecer neles", diz Haddock-Lobo. Em Goumldel, o paradoxo dos teoremas surgiu como uma consequumlência indesejada do seu trabalho. Rebecca o classifica como o maior lógico desde Aristóteles e explica que Goumldel só chegou à idéia de incompletude porque estava trabalhando com a ambição de alcançar uma conclusão matemática que comprovasse o realismo da lógica matemática. O fato de sua obra ter entrado para a história não apenas como um paradigma anti-objetividade, mas como uma de suas forças propulsoras mais poderosas, se constitui numa imensa ironia. Ou no mais insolúvel dos paradoxos.
"Incompletude: A Prova e o Paradoxo de Goumldel". - Rebecca Goldstein

7 de set. de 2010

Clóvis Nunes - O Espiritismo a Bíblia e as Religiões

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I SIMESPE - Clóvis Nunes - Os Espíritos Se Comunicam, Provas e Evidência