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1 de fev. de 2016

Neuropatias SNC



:: Artigos
NEUROPATIAS
O que é neuropatia periférica?
(Baseado em texto do Office of Comunications and Public Liaison, pertencente ao National Institute of Health, EUA).
Dr. Maurício Hoshino

Neuropatia periférica refere-se a um dano no sistema nervoso periférico, ou seja, uma vasta rede de nervos que transmite informações do encéfalo e medula (sistema nervoso central) para o resto do corpo. Nervos periféricos também trazem informação quanto a sensibilidade para o sistema nervoso central, por exemplo, quão frios estão os pés ou se um dedo está queimando. Qualquer dano ao sistema nervoso periférico interfere com essas conexões vitais. Tal qual uma estática numa ligação telefônica, a neuropatia periférica distorce e algumas vezes até interrompe as mensagens trocadas entre sistema nervoso central e a periferia do organismo.
Como cada nervo tem uma função altamente especializada em cada lugar do corpo, um vasta gama de sintomas podem ocorrer quando os nervos são atingidos. Algumas pessoas podem queixar-se de formigamento temporário (“parestesia”), sensação de agulhas perfurando corpo, choques ou queimação, bem como fraqueza da musculatura. Alguns podem se queixar de queimação (especialmente à noite), paralisia muscular, até disfunção endócrina. Sintomas do tipo dificuldade para digestão, oscilação da pressão arterial, alterações no suor ou disfunção sexual podem estar presentes. Em casos extremos, a respiração pode ficar dificultada ou lesão em órgãos internos.
Algumas formas de neuropatia podem danificar apenas alguns nervos, e são chamadas de “neuropatias”. Mais freqüentemente, múltiplos nervos em diferentes membros estão atingidos simetricamente, causando a “polineuropatia”. Às vezes, dois ou mais nervos são isoladamente afetados, em diferentes tempos, em diferentes áreas, configurando a “mononeurite múltipla”.
Nas neuropatias agudas, do tipo polirradiculoneurite, os sintomas aparecem subitamente, são rapidamente progressivos e com resolução lenta. Nas formas crônicas, os sintomas começam insidiosamente, com progressão muito lenta. Alguns pacientes percebem períodos de agudização seguidos de melhora. Outros podem atingir um estágio de estabilização, onde os sintomas ficam estáveis por meses a anos. Algumas neuropatias crônicas pioram com o tempo, porém poucas formas mostram-se fatais. Ocasionalmente, a neuropatia é sintoma de outras doenças sistêmicas.
Nas formas mais comuns de polineuropatia, as fibras nervosas (células individuais que constituem o nervo) mais distantes do cérebro e medular são as primeiras a serem atingidas. Dor e outros sintomas aparecem simetricamente; por exemplo, é comum a sensação de formigamento iniciar-se nos pés e ascender para as pernas. Evolutivamente, os dedos das mãos, mãos e braços podem ser atingidos, e os sintomas podem se estender até a região central do corpo. Muitos pacientes diabéticos experimentam esse padrão de dano ascendente.
Como as neuropatias periféricas são classificadas?
Mais do que cem tipos diferentes de neuropatia foram identificadas, cada uma com suas características próprias: instalação dos sintomas, evolução, prognóstico. Os sintomas irão depender de qual tipo de nervo foi acometido: motor, sensitivo ou autonômico. Nervos motores controlam movimentos de todos os músculos sob controle consciente, tais como aqueles usados para andar, agarrar ou falar. Nervos sensitivos transmitem informação sobre experiência sensorial, tais como a sensação de um corte na pele ou um toque leve. Nervos autonômicos regulam atividades biológicas as quais não são controláveis de forma consciente, do tipo respiração, digestão, freqüência cardíaca, piloereção. Algumas neuropatias podem afetar os 3 tipos de nervos, outros afetam apenas um ou dois tipos. Portanto, a medicina utiliza termos como “neuropatia predominantemente motora”, “predominantemente sensitiva”, “neuropatia sensitivo-motora” ou “neuropatia autonômica” para descrever o quadro clínico do paciente.
Quais são os sintomas da neuropatia periférica?
Sintomas são relacionados ao tipo de nervo afetado e podem acometer ao paciente num espaço de dias, meses ou anos. A fraqueza muscular é o sintoma mais comum das neuropatias. Outros sintomas podem ser câimbras dolorosas, fasciculações (tremor incontrolável visível dos músculos), atrofia muscular, degeneração óssea, alterações em pele, pelos e unhas. Essas lesões degenerativas também podem resultar de alterações sensitivas ou autonômicas.
Lesão dos nervos sensitivos pode causar os mais variados sintomas, uma vez que estes nervos são responsáveis por funções extremamente especializadas. As fibras mais grossas, cobertas por mielina (proteína que encobre e isola muitos nervos) registram sensação de vibração e tato, resultando em parestesias, especialmente nas mãos e pés. É freqüente a sensação de "estar usando luvas e meias", principalmente à noite. Muitos pacientes não reconhecem o toque de pequenos objetos ou não conseguem distinguir formas pelo tato. Lesão neste tipo de fibras pode contribuir para perda de reflexos (bem como as lesões em nervos motores). Perda da sensibilidade da posição das articulações torna os pacientes incapazes de coordenar movimentos complexos do tipo andar, abotoar ou manter-se em pé de olhos fechados. Dor neuropática é um evento de difícil controle e pode acometer a esfera psico-afetiva e, conseqüentemente, a qualidade de vida. Dor neuropática usualmente piora à noite, interfere na arquitetura de sono, com sensação de fadiga matinal, adicionando sofrimento psíquico à lesão nervosa.
Fibras mais finas, amielínicas, transmitem sensação de dor e temperatura. Lesão neste tipo de fibra pode interferir com a capacidade de sentir dores ou mudanças na temperatura. É comum lesões banais transformarem-se em graves feridas devido a infecção, absolutamente assintomáticas. Outros pacientes podem não sentir dores relacionadas a dor isquêmica cardíaca ou outras condições agudas. Perda de sensibilidade é um problema particularmente sério em pacientes diabéticos, contribuindo para alta incidência de amputações nesta população. Receptores de dor na pela podem ficar hiper-sensíveis, causando dores intensas e insuportáveis, estimulados por estímulos banais indolores (do tipo peso dos lençóis ou sopro). É a chamada "alodínia".
Sintomas secundários a lesão autonômica são diversos e dependes de quais órgãos ou glândulas forem afetadas. Disfunção autonômica pode se tornar uma ameaça à vida e pode necessitar atendimento de urgência em casos de prejuízo respiratório ou arritmias. Sintomas comuns de disautonomia são: dificuldade para controle da sudorese, com intolerância a calor; perda de controle urinário; alterações da pressão arterial, causando tonturas de repetição e até perdas de consciência de repetição. Sintomas gastrointestinais freqüentemente acompanham neuropatias autonômicas. disfunção da musculatura intestinal leva a diarréia, obstipação ou incontinência fecal. Algumas pessoas podem ter dificuldades para se alimentar ou deglutir se alguns nervos autonômicos estiverem afetados.
Quais são as causas da Neuropatia Periférica?
Neuropatia periférica pode ter causas congênitas ou adquiridas. Causas de neuropatia adquirida incluem trauma direto, tumores, toxinas, doenças auto-imunes, deficiências nutricionais, alcoolismo, doenças metabólicas ou vasculares.
As neuropatias adquiridas são dividas em 3 grandes grupos: aquelas causadas por doenças sistêmicas, por traumatismo e aquelas causadas por doenças infecciosas ou auto-imunes que afetem tecido nervoso. Um exemplo de neuropatia adquirida é a "neuralgia de trigêmeo" (também conhecida como "tique doloroso"), na qual lesão ao nervo trigêmeo (o maior nervo da face) causa ataques de dores importantes, semelhantes a um choque, em um lado da face. Em alguns casos, a causa é uma infecção viral prévia, pressão sobre o nervo causada pela presença de um tumor ou vaso ou, mais raramente, secundária a esclerose múltipla. Em muitos casos, entretanto, a causa específica não pode ser determinada (causa "idiopática").
Trauma é causa mais comum de lesão a um nervo. Lesão por trauma súbito, do tipo acidente automobilístico, quedas, atividades esportivas, podem causar grave compressão, rompimento ou estiramento, principalmente à altura das raízes dos nervos, ponto de conexão com a medula. Lesões menos dramáticas também podem causar danos sérios aos nervos. Ossos quebrados ou deslocados podem exercer pressão nos nervos vizinhos, bem como discos intervertebrais podem comprimir fibras nervosas que emergem da coluna.
Doenças sistêmicas, ou seja, doenças que acometem várias partes do organismo, freqüentemente causam neuropatia. Podem incluir:
-Doenças metabólicas e endocrinológicas: O tecido nervoso é altamente vulnerável a doenças que acometem a capacidade do organismo em transformar nutrientes em energia ou excreção de substâncias tóxicas. Diabetes mellitus, caracterizada por níveis crônicos elevados de glicose no sangue, é a causa principal de neuropatia periférica nos Estados Unidos. Entre 60 a 70% dos pacientes diabéticos apresentam formas leves a moderadas de neuropatia. Doenças renais podem levar a acúmulo de substâncias tóxicas no sangue. A maioria dos pacientes sob diálise desenvolve polineuropatia. Algumas doenças hepáticas também produzem neuropatia como resultado de desbalanço químico. Distúrbios hormonais podem levar a alterações metabólicas e causar neuropatia. Por exemplo, a menor produção de hormônio tireoidiano leva a um retardo no metabolismo, retenção de fluidos e inchaço tecidual, causando pressão sobre os nervos. Excesso de produção do hormônio de crescimento (GH) leva a "acromegalia", condição caracterizada por crescimento anormal de muitas partes do esqueleto, incluindo as articulações. Nervos que trafegam perto destas articulações podem ficar aprisionados.
-Deficiências vitamínicas e alcoolismo podem causar dano tecidual. Vitamina E, B1, B6, B12 e niacina são essenciais para funcionamento neuronal. A deficiência de tiamina (B1), em particular, é comum entre alcoólatras devido a seus péssimos hábitos alimentares. A deficiência de tiamina pode causar neuropatia dolorosa das extremidades. Alguns pesquisadores acreditam que o excesso de álcool pode, por si, contribuir diretamente a uma lesão nervosa, condição chamada "neuropatia alcoólica".
-Lesão vascular levará a uma menor oxigenação do tecido do nervo, rapidamente acarretando a morte neuronal (assim como a falta de oxigênio leva ao acidente vascular cerebral no encéfalo). Diabetes freqüentemente leva a vasoconstrição. Várias formas de "vasculite" (inflamação dos vasos que irrigam os nervos) levam a edema tecidual. Esta categoria de lesão nervosa, na qual nervos isolados em diferentes áreas são danificados, chama-se "mononeuropatia múltipla" ou "mononeuropatia multifocal".
-Doenças do tecido conectivo e inflamação crônica podem lesar o nervo direta ou indiretamente. Quando múltiplas camadas do tecido que protegem os nervos tornam-se inflamadas, o próprio tecido nervoso pode ser acometido pela inflamação. Inflamação crônica leva a destruição progressiva do tecido conectivo, tornando os nervos mais vulneráveis a infecções e/ou compressões.
-Neoplasias malignas ou benignas podem se infiltrar ou exercer pressão sobre os nervos. Tumores podem se originar diretamente das células nervosas. Polineuropatia difusa é freqüentemente associada a neurofibromatose, doença genética que causa tumores benignos em múltiplos nervos. Neuromas são massas benignas de crescimento exagerado de tecido nervoso e que aparecem após qualquer lesão penetrante que atinja algum nervo. Causam intensa dor e podem acometer nervos vizinhos, levando a dano maior ainda e dor conseqüentemente maior. A formação de neuromas pode ser um dos elementos de uma condição neuropática mais grave, chamada "síndrome complexa de dor regional" ou "distrofia simpático-reflexa". Síndromes paraneoplásicas, um grupo de raras doenças degenerativas causadas por resposta imune secundária a tumores malignos, podem causar indiretamente lesões de troncos nervosos.
-Estresse de repetição freqüentemente causa neuropatia por compressão (aprisionamento). Lesões cumulativas podem ser conseqüência de movimentos repetitivos, forçados, que exijam flexão de algumas juntas por período prolongado. A irritação resultante pode causar uma inflamação em ligamentos, tendões e músculos, tornando-os inchados, comprimindo túneis por onde passam os nervos, entre estas estruturas. Tais lesões são mais comuns durante gravidez, provavelmente relacionadas a ganho de peso e retenção de fluido.
-Toxinas podem causar lesão nervosa. Exposição a metais pesados (arsênico, chumbo, mercúrio), drogas industriais ou toxinas ambientais freqüentemente desenvolvem neuropatias. Certos quimioterápicos, anticonvulsivantes, drogas antivirais e antibióticos incluem como efeito colateral o desenvolvimento de neuropatias, limitando seu uso a longo prazo.
-Infecções e doenças auto-imunes podem causar neuropatia periférica. Vírus e bactérias podem atacar tecidos nervosos, incluindo o vírus da Herpes, Herpes Zoster, Mononucleose Infecciosa, citomegalovírus (todos membros da mesma família). Estes vírus podem causar lesões graves aos nervos, causando dores em pontada ou em choque. A neuralgia pós-herpética freqüentemente ocorre depois da lesão dermatológica do Herpes e pode ser particularmente dolorosa. O vírus do HIV, causador da AIDS, também acomete o sistema nervoso periférico e central. O vírus pode causar diferentes formas de neuropatia, todas relacionadas ao grau de imunodeficiência. Polineuropatia dolorosa, rapidamente progressiva, afetando pés e mãos, pode ser o primeiro sinal clínico da infecção pelo HIV. A doença de Lyme, difteria e hanseníase são doenças causadas por bactérias; muitas vezes os sintomas neuropáticos iniciam-se semanas após o contágio.
Infecções bacterianas e virais podem causar lesão indireta nervosa através de uma condição chamada doença auto-imune, nas quais células do sistema imune produzem anticorpos que atacam o tecido do próprio paciente. Estes ataques causam destruição da bainha de mielina ou do axônio (parte do neurônio que se estende do corpo central do nervo até a sua porção mais periférica). Neuropatia inflamatória aguda desmielinizante, mais conhecida como doença de Guillain-Barré, pode levar a lesão motora, sensitiva ou autonômica. A maioria das pessoas consegue se recuperar desta síndrome, embora alguns casos graves possam ser fatais. Polineuropatia inflamatória crônica desmielinizante (PDIC), geralmente menos perigosa, deixa intactos as fibras autonômicas. Mononeuropatia multifocal é uma forma de neuropatia inflamatória que afetas as fibras motoras exclusivamente; pode ser aguda ou crônica
-Formas congênitas de neuropatia periférica são causadas por alterações no código genético ou por alterações mutacionais. Alguns erros genéticos levam a neuropatias leves, cujos sintomas começam apenas na fase adulta, com pouco acometimento. As neuropatias hereditárias mais graves iniciam-se mais precocemente.
A mais comum das neuropatias hereditárias são um grupo de doenças conhecidas como "doença de Charcot-Marie-Tooth". Esta neuropatia resulta de erro genético na produção de mielina. Marcadores clínicos da doença de Charcot-Marie-Tooth incluem fraqueza progressiva, atrofia dos músculos dos pés e pernas, alterações de marcha, perda dos reflexos e formigamento nos pés.
Como a Neuropatia pode ser diagnosticada?
O diagnóstico da Neuropatia Periférica normalmente é difícil porque os sintomas são variáveis. Um exame neurológico minucioso é necessário, além de um extenso histórico do paciente, principalmente no tocante a sintomas, ambiente de trabalho, hábitos sociais, exposição a agentes tóxicos, alcoolismo, fatores de risco para doenças infecciosas, além de antecedentes familiares.
O exame físico geral e testes relacionados podem revelar a presença de doenças sistêmicas que podem ser a origem da neuropatia. Testes sangüíneos podem detectar diabetes, deficiências vitamínicas, insuficiência hepática ou renal, outras doenças metabólicas e sinais de doença auto-imune.
O exame do líquido cefalorraquidiano, que envolve o cérebro e medula espinal, pode revelar anticorpos associados a neuropatias. Testes mais especializados podem revelar doenças sangüíneas, cardiovasculares, doenças do tecido conectivo ou neoplasias. Testes de força devem ser usados quando houver evidências de câimbras ou fasciculações. Avaliação da sensibilidade inclui o estudo da sensibilidade vibratória, toque superficial, posição das articulações, temperatura e dor, revelando dano sensitivo e quais tipos de fibras estão envolvidas.
Baseados nos resultados de exame físico geral e neurológico, história do paciente e exames, estudos mais específicos podem ser realizados para determinar a extensão e a natureza das lesões nervosas.
-Tomografia computadorizada é um exame indolor, não invasivo, produzindo imagens em duas dimensões de órgãos, ossos e tecidos. Raios X ultrapassam todo o corpo em diferentes ângulos e são detectados por um scanner computadorizado. Os dados são processados e mostrados como se o corpo fosse fatiado, permitindo análise das estruturas internas do corpo. Tomografias em Neurologia podem ajudar ao detectar irregularidades ósseas ou vasculares, tumores cerebrais e cistos, hérnias discais, estenose lombar e outras doenças.
-Ressonância Magnética pode examinar a qualidade do músculo e suas dimensões, detectar infiltração de gordura dentro do músculo e determinar se um determinado nervo encontra-se sob compressão em seu trajeto. O equipamento da ressonância cria um intenso campo magnético ao redor do corpo. Mudanças nos átomos, após esse intenso campo, irão compor diferentes sinais de ressonância, de acordo com a estrutura dos tecidos estudados. Um processo computacional capta essas diferentes ressonâncias teciduais,formando uma imagem em três dimensões ou uma imagem "fatiada" da área estudada.
-Eletromiografia envolve a inserção de agulhas nos músculos a fim de comparar a atividade elétrica quando estão em repouso e quando estão sob contração. A Eletromiografia pode diferenciar entre uma doença do músculo e uma doença do nervo.
-O estudo das velocidades de condução nervosa pode medir precisamente o grau de lesão de um nervo, revelando se os sintomas são causados por alteração da mielina ou do axônio. Durante este teste, há um estímulo elétrico que aciona um determinado nervo, o qual responde gerando seu próprio estímulo elétrico. Um eletrodo, colocado ao longo do trajeto do nervo, irá captar a transmissão deste impulso ao longo do seu axônio. Velocidades lentas de transmissão e bloqueio do impulso tendem a indicar dano à bainha de mielina, enquanto a redução da intensidade do impulso é um sinal de lesão do axônio.
-Biopsia de nervo envolve a remoção e exame da amostra do tecido nervoso, mais freqüentemente nos membros inferiores. Embora este teste possa acrescentar alguma informação no tocante à etiologia do processo, deve-se lembrar que é um procedimento invasivo, de difícil realização e pode por si causar efeitos colaterais neuropáticos.
Quais tratamentos são disponíveis?
Não há tratamento atualmente para os casos de neuropatia hereditária. Entretanto, há várias terapias para as outras formas de neuropatia. Todas as doenças concomitantes são tratadas em princípio, seguido de tratamento sintomático. O sistema nervoso periférico tem capacidade de regeneração, desde que a célula nervosa permaneça viável. Sintomas freqüentemente podem ser controlados, associados a eliminação das causas das formas específicas de neuropatia, resultando em prevenção de novos danos celulares.
Em geral, adotando-se medidas para melhoria na qualidade de vida- tais como controle ponderal, evitar exposição a toxinas, programa de exercícios supervisionado, dieta balanceada, correção de déficits vitamínicos, limitar ingestão de álcool- podem reduzir os efeitos físicos e emocionais das neuropatias periféricas. Formas de exercício ativas e passivas podem reduzir as câimbras, melhorar a força muscular e prevenir atrofia em membros paralisados. Vários tipos de dieta podem melhorar sintomas gastrointestinais. A suspensão do tabagismo é particularmente importante porque o fumo é capaz de contrair os vasos sangüíneos que oferecem nutrientes aos nervos periféricos e podem piorar os sintomas neuropáticos. Orientações de auto-cuidado, do tipo inspeção meticulosa dos pés e cuidados com as feridas em pacientes diabéticos, portadores de diminuição de sensibilidade, podem aliviar sintomas e melhorar a qualidade de vida. Tais condições criam condições para regeneração nervosa.
Doenças sistêmicas freqüentemente exigem tratamentos complexos. Controle rígido dos níveis de glicose tem demonstrado ser benéfico em reduzir sintomas neuropáticos e previnem maiores lesões. Condições pró-inflamatórias que levam a neuropatia podem ser controladas de diversas maneiras. Drogas imunossupressoras tais como prednisona, ciclosporina e azatioprina podem ser benéficas. Plasmaferese - procedimento no qual o sangue é retirado para filtragem das células inflamatórias e anticorpos, sendo depois devolvido- pode limitar atividade inflamatória. Altas doses de imunoglobulinas humanas, proteínas que funcionam tais como anticorpos, também podem suprimir a atividade imunológica anormal.
Dor neuropática é freqüentemente de difícil controle. Dores mais leves podem ser aliviadas com uso de analgésicos leves. Muitas classes de medicamentos foram recentemente aprovadas para formas crônicas de dor neuropática. Destacam-se a mexiletina, uma medicação desenvolvida para arritmias; drogas antiepilépticas, tais como gabapentina, fenitoina e carbamazepina; algumas classes de antidepressivos, incluindo os tricíclicos tais como a amitriptilina. Injeções locais de anestésicos, do tipo lidocaína ou patches com lidocaína, podem aliviar dores intratáveis. Em alguns casos, pode ser sugerida a lesão do nervo em questão, porém os resultados são freqüentemente temporários e podem levar a complicações.
Algumas próteses mecânicas podem reduzir a dor, compensar a fraqueza muscular e aliviar a compressão nervosa. Sapatos ortopédicos podem melhorar distúrbios de marcha e prevenir lesões nos pés em pacientes portadores de diminuição da sensibilidade.
Intervenções cirúrgicas podem providenciar alívio imediato, principalmente nas mononeuropatias causadas por compressão ou aprisionamento (do tipo síndrome do túnel do carpo), através de cortes em ligamentos e tendões inflamados.
Estudos de fatores neutróficos representam uma das áreas mais promissoras na pesquisa de tratamentos mais eficazes para neuropatias periféricas. Estas substâncias, produzidas naturalmente pelo corpo, protegem neurônios e incentivam sua recuperação. Muitas pesquisas têm sido realizadas no sentido de encontrar substâncias químicas que possam reverter lesões já formadas e curar a neuropatia.
 


http://www.sncneurologia.com.br/neuropatia-periferica.htm
Sistema Nervoso Central.

 http://www.ehow.com.br/causa-sensacao-queimacao-dedos-sobre_184386/
A neuropatia da sensação de queimação nas pontas dos dedos pode surgir de um número variado de origens. Possíveis causas incluem, mas não estão limitadas, às seguintes patologias: estrangulamento do nervo, esclerose múltipla, derrames, enxaquecas, estenose espinal, diabetes, síndrome de Reynaud, artrite e disfunção no nervo ulnar. Essa sensação desagradável varia em severidade de irritante até extremamente dolorida e, embora alguns indivíduos apenas tenham episódios intermitentes, outros são afetados com sintomas constantes. A queimação persistente nas pontas dos dedos pode ser um efeito adverso na qualidade de vida da pessoa e substancialmente restringir atividades normais. Como essa condição pode ser causada por um número de neuropatias, é necessário que os indivíduos sofrendo com queimação em seus dedos procurem por conselho médico. Um neurologista pode diagnosticar a causa subjacente da queimação de suas digitais e prescrever um curso de tratamento apropriado.

Síndrome do túnel carpal: Uma causa comum para a queimação nas pontas dos dedos

Uma das causas mais comuns dessa condição é a síndrome do túnel carpal, ou CTS. Essa síndrome é causada quando o nervo médio, que supre as mãos, é comprimido. A condição é normalmente causada por movimentos repetitivos do pulso e é frequentemente observada em digitadores, caixas e praticantes de esportes que envolve o uso repetitivo da mão ou pulso, como jogadores de tênis. Uma das coisas que um médico procurará ao tentar diagnosticar a CTS é a falta de dormência no dedinho da mão. Isso acontece porque o nervo médio não supre esse dedo. Um estudo de condução de nervo pode ser realizado. Isso mostrará se os impulsos viajando pelo médio estão se movendo devagar demais — uma indicação segura de CTS. Um terceiro exame, um eletromiograma, é normalmente conduzido para excluir outras causas. Esse procedimento verifica se o músculo está recebendo o suprimento sanguíneo adequado — um sintoma de várias outras condições, mas não da síndrome do túnel carpal. A maneira mais simples para seu médico diagnosticar a CTS é aplicando pressão aos pulsos. Esse procedimento produzirá sintomas imediatos na maioria dos indivíduos com o problema. Os tratamentos de CTS dependem da severidade da condição. Casos severos podem precisar de cirurgia para aliviar a pressão no nervo médio, o que elimina os sintomas, na maioria dos casos. Casos mais suaves são frequentemente tratados com talas nos pulsos, que aliviam os sintomas limitando a mobilidade do pulso. Outra opção, mas que não é sempre viável, é eliminar a atividade que está causando o problema. A maioria das pessoas não quer ou não pode perder seu emprego para se livrar da CTS e muitos outros apresentam uma falta de entusiasmo semelhante quando se sugere que desistam de seu esporte favorito.

A síndrome de Raynaud pode ser a causa de suas pontas do dedos estarem ardendo

Outra causa principal da queimação nas pontas dos dedos é a síndrome de Reynaud. Essa condição acontece quando os vasos sanguíneos que suprem as mãos e/ou pés se estreitam. Em pessoas com esse problema, episódios de queimação nas pontas dos dedos são exacerbados pelo frio. Os dedos se tornam extremamente pálidos antes de desenvolver uma cor azul. Existem dois tipos de síndrome de Reynaud: o primário e o secundário. O Reynaud primário não é associado a nenhuma outra doença, enquanto condições reumáticas como artrite reumática, escleroderma e lúpus são normalmente catalisadores para o desenvolvimento do Reynaud secundário. Existem vários exames aplicados para diagnosticar a síndrome de Reynaud. Esses incluem: a capilaroscopia da unha — o estudo de capilares sob um microscópio; o exame de anticorpos antinuclear (ANA), que determina se o corpo está produzindo os anticorpos associados com o tecido conectivo ou transtornos autoimunes; e a taxa de sedimentação de eritrócitos, um exame diagnóstico para inflamação. Os sintomas da síndrome de Reynaud podem ser reduzidos mantendo as mãos cobertas e quentes no tempo do frio ou ao manusear itens frios, como alimentos congelados. Casos severos dessa doença são normalmente tratados com medicamentos que ampliam os vasos sanguíneos afetados. Pessoas com a síndrome de Reynaud não devem fumar, pois isso restringe ainda mais o fluxo sanguíneo. Além disso, alguns medicamentos podem agravar os sintomas e seu médico poderá lhe aconselhar sobre quais medicamentos evitar.

Estenose espinal e a síndrome da mão queimada

Estenose espinal é o termo médico para o estreitamento do canal espinal e é comumente encontrada em pessoas com mais de 50 anos. O estreitamento desse canal comprime a medula espinhal, o que pode levar à neuropatia das mãos. Indivíduos diagnosticados com estenose espinal têm relatado sensações de queimação nas mãos e pontas dos dedos. Esse problema é diagnosticado com raios-X, ressonância magnética ou um TAC. O tratamento para essa patologia inclui fisioterapia e medicação para a dor. Essa medida pode normalmente aliviar o problema na mão da pessoa.

O significado do papel da ansiedade na queimação das pontas dos dedos

A ansiedade pode ser a culpada por trás da queimação em seus dedos. De acordo com Roger Gould, um membro do Departamento de Psiquiatria da UCLA, a ansiedade moderada a severa pode fazer com que um indivíduo sinta vários sintomas físicos. Para pessoas com sintomas que desafiam todas as explicações médicas, é recomendado um tratamento curto com a droga antidepressiva klonopina. Se os sintomas diminuírem ou desaparecem ao tomar esse medicamento, a ansiedade é, provavelmente, a causa do desconforto. Pessoas que recebem esse diagnóstico podem ser aconselhadas a continuar a tomar medicação antidepressiva como um método de controlar a ansiedade e, para alguns, uma avaliação completa de seu estilo de vida poderá ser útil para apontar a origem de seu nervosismo.

Você ingerindo o suficiente de B-12?

A deficiência de vitamina B-12, que é chamada de anemia perniciosa, pode causar as sensações de dormência, formigamento e queimação nas pontas dos dedos. Vegetarianos são particularmente vulneráveis a esse problemas, já que a vitamina B-12 é raramente encontrada em vegetais. O tratamento para a anemia perniciosa inclui a suplementação de ácido fólico e vitamina B-12. Alterações na dieta podem ser úteis para os consumidores de carne, já que a carne é rica em B-12. É fortemente recomendado que vegetarianos suplementem sua dieta com doses diárias de B-12.

A especulação pode ser perigosa

Não especule sobre a causa de sua queimação nas pontas dos dedos. O autodiagnóstico é enganoso e perigoso. Como em muitos transtornos, a queimação nos dedos pode ser causada por uma miríade de patologias, desde simples até muito sérias. Consulte seu médico para um diagnóstico adequado para a queimação nas pontas dos dedos.

29 de out. de 2014

Síndromes * Estudos e Pesquisas



Pesquisas Síndromes múltiplas


Em razão de muitas questões semelhantes mas com causas próprias em cada caso,
aconselhável pesquisar junto a uma boa equipe médica interdisciplinar entre 
as variantes que surgem na busca do tratamento das síndromes.

a) Quando há dores de coluna e o  paciente não é informado sobre outras síndromes que podem
    associar aos quadros de dores crônicas. 
b) Quando há Fibromialgia pode desencadear percentuais de outras síndromes dependendo
    da idade e do meio de vida de cada pessoa.
c) Fadiga Crônica tem relação com a Fibromialgia podendo até mesmo a fibromialgia ficar em  
    segundo plano, observando as razões de alimentação  e outra síndrome de química múltipla
    alterando os comportamentos da medicação e da psicologia de cada pessoa.
d) Está ligado ao comprometimento interior onde o autoconhecimento e a busca da Alma tem
    fortes alterações psicológicas e físicas entre síndromes e estados de saúde que não se 
    enquadram numa patologia específica.  Os remédios convencionais não vencem as síndromes.
e) Podemos associar aos meios de busca o quadro apresentado em Ortomolecular, em sentido de
    tratamento do intestino ( colite), tratamento da garganta ( faringite e hipersensibilidades) 
    alteração do sono  ( aumento de cortisol), estados de ansiedade e isolamento por falta de 
    equilíbrio em meio a crises e afetando condições materiais, físicas, energéticas. 
f)  Descontrole de energia dos  órgãos vitais, chakras e campos eletromagnéticos do corpo em 
     resultados depressivos e/ou mecânicos junto a falta de alimentação adequada e paz interior.
g)  Afastamento social, profissional e afetivo. Busca interior, tratamentos com terapias chamadas
     Integrativas ( Reiki, Cromoterapia, Pilates, Acupuntura, Radiestesia, Arte, Hidro, Meditação, 
     Florais, Homeopatia, Naturopatia, Fitoterapias, Comportamentais e Energéticas) 
h)  Elevação Espiritual - Quântica, Energias e Integração a grupos de harmonização energética  e Energia Kundalini.  
     pode acordar a todo autoconhecimento e autonomia a fim de dar novos paradigmas e sair das
     crises infinitamente documentadas entre os portadores de Síndromes. 
     Visa apoio familiar e  pessoal, amplia questionamentos e promove a consciência Integrativa.



*** Para se falar de buscas existenciais e melhorias para  dores crônicas se faz necessário
      Autoconhecimento, Autonomia a questões ligadas a Energias, Quântica e Espiritualidade.
      O equilíbrio atende ao emocional e proporciona impulsos muito específicos a cada pessoa
      podendo inclusive conviver com a Síndrome em níveis de consciência a busca pessoal.
   

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        PORTADORES - DEPRESSÃO, ANSIEDADE, HIPERSENSIBILIDADE


http://bases.bireme.br/cgi-bin/wxislind.exe/iah/online/?IsisScript=iah/iah.xis&src=google&base=LILACS&lang=p&nextAction=lnk&exprSearch=238984&indexSearch=ID


A Síndrome da Fadiga Crônica (SFC), de etiologia bastante variável, deve-se provavelmente a uma lesão do Sistema Nervoso Central, relacionada aos mediadores químicos, possivelmente secundária a uma hipoativação do eixo hipotalâmico pituitário adrenal com alteração ao nível de receptores colinérgicos e serotoninérgicos, e em glucocorticóides. O diagnóstico da SFC depende da exclusão de outras causas já conhecidas de fadiga, como aquelas secundárias a quadros psiquátricos, endócrinos e metabólicos relacionados a produção da energia muscular, e toximedicamentosos como os provocados pelo álcool ou aqueles que levam a uma hipocalemia(uso de glucocorticoides, diuréticos e laxativos)(AU)


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Sites e  pesquisas 
www.integrativas.blogspot.com.br 
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     ( Síndromes Múltiplas)

Pesquisas diversas
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 http://www.criesaude.com/novoortomolecular/fadiga-tratamento-com-suplementos/



eBOOK 
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Intestinos  e biorressonância 
https://www.youtube.com/watch?v=LfUfQwUvWqg&list=PLAF99DAA939974298&index=165



24 de out. de 2014

Trigêmeo, ATM, DTM, Dor facial. neurologia, dor de origem dentária

http://dtscience.com/index.php/orthodontics_JBA/article/viewFile/310/288


http://www.aped-dor.com/

http://solar8.blogspot.com.br/search/label/neuropatia


24 de jan. de 2012

Dor contínua ... definições importantes

A dor continua sendo uma das grandes preocupações da Humanidade

DEFINIÇÃO DE DOR
“Experiência sensitiva e emocional desagradável associada ou relacionada a lesão real ou potencial dos tecidos. Cada indivíduo aprende a utilizar esse termo através das suas experiências anteriores.”
IASP- International Association for the Study of Pain

“A dor continua sendo uma das grandes preocupações da Humanidade. Desde os primórdios do ser humano, conforme sugerem alguns registros gráficos da pré-história e os vários documentos escritos ulteriormente, o homem sempre procurou esclarecer as razões que justificassem a ocorrência de dor e os procedimentos destinados a seu controle.
A expressão da dor varia não somente de um indivíduo para outro, mas também de acordo com as diferentes culturas”...
A ocorrência de dor, especialmente crônica, é crescente, talvez em decorrência de:
- novos hábitos de vida;
- maior longevidade do indivíduo;
- prolongamento de sobrevida dos doentes com afecções clínicas naturalmente fatais;
- modificações do ambiente em que vivemos; e provavelmente,
- do reconhecimento de novos quadros dolorosos e da aplicação de novos conceitos que traduzam seu significado.
Além de gerar estresses físicos e emocionais para os doentes e para os seus cuidadores, a dor é razão de fardo econômico e social para a sociedade”.
(Prof. Dr. Manoel Jacobsen Teixeira – Neurocirurgião, Fac. De Medicina da USP).
CLASSIFICAÇÃO DA DOR
A dor pode ser considerada como um sintoma ou manifestação de uma doença ou afecção orgânica, mas também pode vir a constituir um quadro clínico mais complexo. Existem muitas maneiras de se classificar a dor. Considerando a duração da sua manifestação, ela pode ser de três tipos:

DOR AGUDA - Aquela que se manifesta transitoriamente durante um período relativamente curto, de minutos a algumas semanas, associada a lesões em tecidos ou órgãos, ocasionadas por inflamação, infecção, traumatismo ou outras causas. Normalmente desaparece quando a causa é corretamente diagnosticada e quando o tratamento recomendado pelo especialista é seguido corretamente pelo paciente.
A dor constitui-se em importante sintoma que primariamente alerta o indivíduo para a necessidade de assistência médica. Veja aqui alguns exemplos:
- a dor pós-operatória (que ocorre após uma cirurgia);
- a dor que ocorre após um traumatismo;
- a dor durante o trabalho de parto;
- a dor de dente;
- as cólicas em geral, como nas situações normais (fisiológicas) do organismo que podem provocar dores agudas, como o processo da ovulação e da menstruação na mulher.
DOR CRÔNICA - Tem duração prolongada, que pode se estender de vários meses a vários anos e que está quase sempre associada a um processo de doença crônica. A dor crônica pode também pode ser conseqüência de uma lesão já previamente tratada.
Exemplos: Dor ocasionada pela artrite reumatóide (inflamação das articulações), dor do paciente com câncer, dor relacionada a esforços repetitivos durante o trabalho, dor nas costas e outras.
DOR RECORRENTE - Apresenta períodos de curta duração que, no entanto, se repetem com freqüência, podendo ocorrer durante toda a vida do indivíduo, mesmo sem estar associada a um processo específico. Um exemplo clássico deste tipo de dor é a enxaqueca.
CAUSAS MAIS COMUNS DE DOR
TRATAMENTOS DISPONÍVEIS PARA A DOR

O tratamento adequado dos processos dolorosos tem como pilar fundamental o diagnóstico das causas que provocaram o seu aparecimento, com base no exame clínico e nos exames complementares.
Nos casos de DOR AGUDA, a remoção da causa da dor (por exemplo, a extração de um dente cariado), o uso de medicamentos adequados e em determinados casos procedimentos de fisioterapia e / ou psicologia são suficientes para a melhora da dor e restabelecimento do individuo em suas atividades normais.
Os casos de DOR CRÔNICA demandam um tratamento mais complexo e prolongado, por serem resultantes de mecanismos multifatoriais que conduziram o organismo afetado a esse ponto de cronicidade e, em geral, demandam avaliação por especialistas de várias áreas para se obter um melhor alívio da dor.
Os métodos para o tratamento da dor descritos neste capítulo em geral são utilizados de maneira associada (conjunta), conforme a necessidade de cada paciente e são descritos a seguir:

TRATAMENTO MEDICAMENTOSO:
A medicação deve ser utilizada de acordo com a orientação médica e não somente quando o paciente considere necessário. Consiste na administração por via oral, injetável ou uma outra mais apropriada, de produtos como os analgésicos e anti-Inflamatórios, que combatem a dor e as inflamações nos tecidos ou órgãos e de produtos adjuvantes, que são auxiliares dos analgésicos, aumentando a sua eficiência no alívio da dor e, ao mesmo tempo, melhorando o apetite, o humor e a parte emocional. São eles:
· Antidepressivos, que tem efeito analgésico e que além disso, melhoram o humor, o sono e o apetite.
· Neurolépticos, que em geral diminuem a ansiedade gerada pela dor e que também colaboram no seu alívio;
· Corticosteróides, que em geral reduzem o inchaço e a inflamação local, aumentam o apetite e o ânimo.
Em situações especiais também são utilizados os anticonvulsivantes, miorrelaxantes (relaxantes musculares) e outros tranqüilizantes.

TRATAMENTOS AUXILIARES: Além dos remédios, a utilização de recursos como a fisioterapia, a acupuntura e a psicologia auxiliam num melhor controle do processo da dor. Esses recursos, além de aliviarem a dor, têm a vantagem de apresentarem pouco ou nenhum efeito colateral e de diminuir a necessidade de analgésicos.

FISIOTERAPIA: Emprega diversas técnicas (meios físicos, massagens, exercícios e aparelhos,) para auxiliar no tratamento da dor e para melhorar a função das estruturas que foram comprometidas pelo processo doloroso.

MEIOS FÍSICOS
Termoterapia:
 Uso de calor superficial com a utilização de bolsas térmicas, banhos de parafina, infravermelho, turbilhão e hidromassagem. Proporcionam bem-estar e facilitam a execução dos exercícios. Pode ser também utilizada a aplicação de calor profundo, como no caso do ultra-som e micro-ondas.
Crioterapia: Uso do frio, muito útil para o alívio da dor, principalmente da dor aguda. Pode ser utilizado gelo, bolsa com agentes frios e aerossóis refrescantes, seguidos de alongamento muscular ou de massagem.
Banhos de Contraste: Uso alternado de Calor e Frio – Imersão de uma parte do corpo em recipientes alternados com água quente (43º C) e fria (16º C).

Eletroterapia: Uso da eletricidade para estímulos ou choques leves nos músculos, útil para aliviar a dor e diminuir a atrofia muscular. Pode ser feita através de corrente galvânica ou contínua, correntes alternadas e o TENS (estimulação nervosa elétrica transcutânea.

Massagens: Bem conhecidas de todos, ainda constituem um recurso eficaz para determinado tipo de afecções.
Elas servem para estimular o relaxamento e melhoria da circulação dos tecidos massageados provocando melhora da dor e pode facilitar a realização de mobilização e tratar dores musculares e fibromialgia. Pode ser feita pelo terapeuta, pelo próprio paciente e ou seus familiares. Não fortalecem os músculos e portanto não substituem os exercícios.

Cinestesioterapia: São uma série de movimentos ou exercícios executados pelo paciente sob orientação de um profissional (fisioterapeuta) e que devem ser continuamente feitos como uma medida importante para manutenção do alívio da dor.

Acupuntura: Método utilizado há milênios que consiste na introdução de agulhas especiais em pontos determinados e descritos pela acupuntura. Produz um efeito mecânico de estímulo das estruturas da pele, subcutâneo e até nos músculos adjacentes proporcionando relaxamento muscular e feito anti-inflamatório e liberação de substâncias analgésicas como a endorfina e a serotonina. A acupuntura melhora a maioria dos tipos de dor, especialmente as decorrentes de estiramentos musculares, entorses, tendinites, bursites, etc.
Na eletroacupuntura, além do agulhamento, é feita uma estimulação elétrica dos pontos de acupuntura.O uso da acupuntura a laser (estimulação dos pontos de acupuntura sem agulhamento) é uma opção bastante utilizada em crianças e em pacientes que não apreciam submeter-se ao agulhamento; os resultados são variáveis em termos de alívio efetivo da dor.
Em determinados casos são utilizados outros recursos, como o agulhamento seco, bloqueios anestésicos, biofeedback, infiltração de pontos dolorosos musculares chamados de “pontos-gatilho” e raramente, mas em alguns casos de difícil tratamento, quando o tratamento medicamentoso falha, há necessidade de se indicarem cirurgias sobre o sistema nervoso para o tratamento da dor (Neurocirurgia Funcional)
Órteses: São dispositivos pré-fabricados ou confeccionados sob medida usando diversos materiais como tecido, neoprene (tecido emborrachado), ou material plástico especial. Podem ser úteis para ajudar a imobilizar determinadas estruturas do corpo, prevenir e minimizar alterações nas estruturas comprometidas e também para correção de posturas anormais. Neste arsenal estão as faixas elásticas, luvas e meias elásticas compressivas.



PSICOLOGIA: A dor sofre influência de fatores físicos, psicológicos e sociais, daí a importância da psicologia no auxílio do paciente, estimulando-o a desenvolver novos hábitos de comportamentos e atitudes perante a doença que o ajudarão a ter um enfrentamento mais positivo da dor e das suas manifestações. Ansiedade, depressão medo, pânico, fobia, são alguns dos sintomas que podem estar presentes em doentes com dor.
A utilização da hipnose é diferente do relaxamento e durante a sessão a pessoa se torna mais receptiva ao inconsciente, à memória e a sugestões. A hipnose pode oferecer alívio imediato para a dor, mas para um tratamento a longo prazo é preciso um tratamento psicoterápico completo, através do qual serão abordados os fatores emocionais que podem estar influenciando na dor.

OUTROS RECURSOS TERAPÊUTICOS

ATIVIDADES ARTÍSTICAS: A arte apresenta-se como um meio auxiliar para combater a dor e alcançar a reabilitação. Ao comunicar-se através da arte, a pessoa enfrenta mais facilmente a dor. Enquanto o sofrimento leva ao isolamento social, a arte traz à tona uma atividade prazerosa seguida pela descoberta de novas potencialidades.
Não se pode mais admitir a reabilitação apenas nos estreitos limites do ser biológico. O entendimento da complexidade da natureza humana conduz à busca de uma aproximação com o universo oculto em cada indivíduo. Este é o caminho da verdadeira recuperação.
Enfim a arte, no tratamento da dor, pode eventualmente prevenir, reestruturar e reabilitar.

TRATAMENTO MULTIDISCIPLINAR
A evolução da medicina leva hoje ao tratamento da dor com um enfoque MULTIDISCIPLINAR ou MULTIPROFISSIONAL, dada a sua complexidade. A vantagem principal dessa abordagem é a “individualização” do tratamento.
Na dor aguda o objetivo principal do tratamento é o alívio da dor fundamentado na eliminação do fator causal, uso de medicamentos e algumas vezes fisioterapia e suporte psicológico. No entanto, na dor crônica, dada a sua complexidade, o tratamento não tem como objetivo somente o desaparecimento da dor (que nem sempre é possível), mas o controle dos sintomas, a redução do desconforto, o desenvolvimento da auto-confiança, da “garra” para execução das tarefas, a eliminação de possíveis medos, a modificação de crenças erradas, a diminuição do uso abusivo de medicamentos e, se possível, a reintegração do indivíduo na sua atividade profissional ou outra atividade. Tudo isso leva, como resultado final, à melhoria da qualidade de vida.
O moderno enfoque do tratamento da dor com enfoque MULTIDISCIPLINAR e INTERDISCIPLINAR, consiste na união de diversos profissionais, como médicos de diversas especialidades, psicólogos, fisioterapeuta, terapeuta ocupacional, enfermeira, assistente social e outros, o que permite enfocar muitos dos aspectos que afetam o paciente que apresenta dor crônica.
É de vital importância que, além da equipe multidisciplinar, o próprio paciente e as pessoas que cuidam ou convivem com ele estejam empenhadas na sua reabilitação.
Autor: http://www.dor.org.br






27 de dez. de 2011

Viver e Morrer pela Boca - Choques

Eduardo Ameida, MD, PhD

O ditado hipocrático de que o homem vive e morre pela boca, para salientar o papel da dietética, sempre foi destacado pela medicina natural. Mas, nos dias de hoje, a percepção da função da boca tem experimentado mudanças profundas. A boca deixou de ser apenas porta de entrada e local da mastigação. Alguns autores a colocam no centro do desenvolvimento Neurobiológico. Ou seja, todo mamífero começaria seu desenvolvimento pelo processo de sugar/mastigar. A partir desse processo primário se organizaria todo o desenvolvimento neural e estrutural. Os profissionais que de alguma forma contemplam essa perspectiva, são testemunhas do poder de influência dessa região no todo orgânico.

Se adicionarmos a esta questão, a intervenção da dentística moderna, geralmente orientada apenas por princípios estéticos, podemos concluir, como muitos autores já o fizeram, de que parte expressiva das pessoas tem em suas bocas uma espécie de bomba relógio, que a qualquer momento poderá ameaçar seriamente o equilíbrio orgânico. Médicos e dentistas devem ter a exata consciência desse problema, e não subestimar as evidências, ou valorizar a estética em detrimento da saúde de seus clientes. Poucos médicos valorizam a boca como fonte de adoecimento, e poucos dentistas admitem o potencial patogênico da boca sobre o todo o orgânico.

É curioso perceber como um certo saber odontológico conseguiu descolar a boca do todo orgânico. Se alguém tem uma fratura óssea, e coloca uma placa metálica. Tanto o médico como o cliente ficam com a clara noção de que foi colocado algo estranho no organismo (corpo estranho). O cliente geralmente diz que possui uma "platina" em tal membro, numa clara afirmação da artificialidade do fato, ficando também implícito a noção de um problema potencial. Qual a diferença entre este procedimento e os procedimentos da moderna dentística e seus materiais? Absolutamente nenhum, ou melhor, no caso da ortopedia, geralmente se usa material à base de titânio, que possui baixa toxicidade e incompatibilidade. No caso dos dentistas, temos o amálgama (mercúrio, estanho, prata), as ligas metálicas das coroas (ouro, níquel, paládio, etc), todos esses metais com evidências incontestáveis de toxicidade orgânica. Sem falar na proximidade desses metais com o Sistema Nervoso Central (SNC).

Podemos dizer que qualquer intervenção na boca é fonte potencial de problemas sistêmicos. Como diz Klinghardt:"se o médico recebe um paciente e quer saber, antes do exame clínico, se ele possui fatores agravantes para a sua saúde, peça que ele abra a boca. Se houver intervenção do dentista, considere logo essa possibilidade. Se não houve intervenção, fique recompensado."
Esse artigo pretende chamar a atenção de médicos e dentista para essa grave situação. Sabemos da complexidade do problema, mas a pior estratégia é ignorá-lo. Autores como Klinghardt afirmam textualmente que os problemas da boca são responsáveis direta ou indiretamente por cerca de 80% do adoecimento humano. São muito mais importantes que a poluição ambiental e o stress. Na verdade, são um tipo particular de stress orgânico, a provocar sobrecarga persistente do organismo com manifestações como: dor crônica, fadiga, insônia, câncer, candidíase, infecções crônicas, fibromialgia, etc..

Em princípio, essas afirmações podem parecer exageradas ou estranhas para a maioria dos terapeutas, mas por trás de tais afirmações estão o saber e a experiência ancorados na Neuralterapia, Cinesiologia Aplicada e Medicina Biológica. Campos de conhecimento ainda pouco divulgados entre nós. Portanto, antes de emitirmos nossos juízos de valores, deveríamos conhecê-los e tirarmos nossas conclusões.

Pelo menos quatro grupos de problemas podem ser listados como contribuintes no processo causal dos desequilíbrios originários da boca:

1. Campos interferentes

A presença de um tecido com células com potencial de membrana diferente da célula normal, pode desempenhar, dependendo das habilidades do organismo, a função de campo interferente. Seria uma espécie de ruído, uma onda de rádio interferente, a estressar o sistema bioelétrico (bioinformação) do organismo. Cicatrizes faciais, cicatriz de extração dentária, granuloma, dentes inclusos, dentes desvitalizados, síndrome NICOS (cavidade pós extração), cistos, sinusites, amigdalites, etc., são as principais origens dos processos interferentes da boca. O exame radiológico contribui apenas em parte para o processo diagnóstico. Ou seja, contribui apenas quando positivo. A ausência de achados radiológicos não afasta a presença de campos interferentes. Na verdade, o "dente problema" sem sinais radiológicos costuma ser campo interferente com maior potencial de desorganização, pois significa que o organismo não foi capaz de se mobilizar para dar conta do problema.

Freqüentemente, um campo interferente se origina e é mantido por um processo de infecção crônica, como é o caso de amigdalite, sinusite e de dentes desvitalizados (sem canais). Nesses casos, o campo interferente é chamado de Foco. Entretanto, vários autores não gostam de ligar infecção apenas ao Foco, pois todo campo interferente é um tecido com processo de defesa local comprometido, e quase sempre espaço para infecções crônicas. São faces de uma mesma moeda.

2. Toxicidade dos materiais dentários

Todos os materiais dentários são potencialmente tóxicos. Alguns materiais são quase sempre tóxicos, como é o caso do amálgama, ligas com níquel, paládio. Outros dependem da interação com o organismo. Destaque especial deve ser dado ao amálgama, uma liga de mercúrio, prata e estanho, às vezes cobre. Ao contrário do que os dentistas que seguem a linha americana (American Dental Association - ADA) dizem, o mercúrio dessas ligas são liberados em quantidades significativas no organismo. Essas quantidades são dependentes de pH de saliva, eletrogalvanismo bucal, presença de outros materiais, grau de desgaste das obturações e, sobretudo, a retirada, sem a devida proteção e observações técnicas, das obturações de amálgama. Do outro lado do processo, está a capacidade do indivíduo eliminar o mercúrio. Isto depende, sobretudo do seu grau de intolerância/alergia ao metal, e da sua capacidade de eliminação, principalmente hepática, intestinal e renal.

Não existe mais qualquer suporte científico para afirmar, como o faz a nossa odontologia oficial, que a liga do amálgama é uma liga estável que não libera os seus componentes. Além dos milhares de casos tratados com sucesso por médicos e dentistas de todo o mundo, das dosagens incontestáveis dos níveis de mercúrio nos líquidos e tecidos corporais, os trabalhos do Professor Murray Vimy da Universidade de Calgary no Canadá são peças irrefutáveis. Seus trabalhos, usando obturações de amálgama com mercúrio marcado em ovelhas e macacos, revelaram a presença quase imediata, após uma obturação tecnicamente correta, do mercúrio em órgãos como Rim, Cérebro, parede intestinal, amígdalas.Outros estudos revelam que uma pessoa com oito obturações com amálgama é sobrecarregada com cerca de 120 microgramas de mercúrio diariamente. Esse valor é compatível com uma eliminação fecal de cerca de 60 microgramas por dia descrita em outros estudos semelhantes.

Diante de todos esses dados, só podemos concluir que o suporte para a defesa do amálgama encontra-se em outro campo que não o científico. E isso é fácil de se compreender. Imagine o risco para os profissionais, caso a ADA admitisse poder o amálgama provocar tudo o que tem sido dito e evidenciado por centenas de médicos e dentistas. Seriam milhares de ações indenizatórias nos EUA, que puxariam outras tantas pelo mundo afora. Daí o fortíssimo lobby a favor do amálgama, menos a favor do seu uso, sobretudo, pela não condenação.

A sobrecarga por mercúrio pode simular qualquer quadro clínico, da queda de cabelo às doenças degenerativas de Sistema Nervoso Central (SNC). Este metal possui grande trofismo pelo SNC, gânglios do Sistema nervoso Autônomo(SNA), tecido conectivo/mesênquima, Rim e Fígado. O organismo, no entanto, tenta mantê-lo na medida do possível restrito à boca. Assim, os ossos da face passam a ser grandes estocadores de mercúrio. Os estudos de Max Dauderer na Alemanha, não deixam quaisquer dúvidas. Ele pode revelar, com estudos histoquímicos de fragmentos de ossos da face, a forte presença desse metal pesado. Fez dosagens de mercúrio em algodões de curativos de drenagens de canais, e comprovou o altíssimo grau de eliminação de mercúrio, chegando em alguns casos a níveis centenas de vezes superior à eliminação urinária. Esses achados levaram o autor a afirmar que a síndrome de cavitação dentária (cavitation sindrome) é, na verdade, manifestação da intoxicação por metal pesado.

A toxicidade do mercúrio não é dependente apenas do grau de sobrecarga do organismo por este metal. É função, em grande medida, da capacidade do organismo lidar com essa sobrecarga. Entretanto, existe uma clara correlação entre o número de obturações com amálgama e as manifestações clínicas.

Outra questão que merece destaque, é o risco real de intoxicação por parte dos dentistas. Os dentistas, principalmente os que usam turbina para retirar as obturações com amálgama, respiram o pó fino contendo mercúrio, que vai direto para suas amígdalas olfativas e daí para eixo hipotálamo-hipofisário. Os dentistas europeus costumam se proteger com máscara adequada, colocar exaustão para fora da sala, e fazerem drenagens freqüentes com queladores de mercúrio.

A medicina ortomolecular, mais conhecida entre nós, tem abordado a questão da intoxicação pelo mercúrio ainda parcialmente, pois concentra a diagnose da intoxicação pelo mercúrio na análise do cabelo. Ora, o cabelo só é bom indicador nas intoxicações continuadas e de certo vulto. Pessoas que já retiraram o amálgama anos atrás continuam intoxicadas, e não costumam ter níveis tóxicos no cabelo. Ou seja, o mercúrio só vai para o cabelo, depois que "transbordou" dos tecidos de maior trofismo. Na maioria dos casos, a intoxicação é cumulativa, ocorrendo, principalmente, nos momentos de retirada, sem os devidos cuidados, da obturação.

Diante desses dados, a melhor maneira de se avaliar quantitativamente a intoxicação por Mercúrio, Chumbo e Cadmo, é através do teste de provocação. Faz-se a medição do metal em urina de 24 horas, antes e depois da provocação com um quelador de metal pesado. Costumo usar como agente quelante/provocador o DMPS endovenoso ou intramuscular, mas se pode usar também o DMSA (oral), o EDTA (soro) e a d-Penicilamina. O ideal é não fazer agentes queladores sistêmicos com o paciente ainda portando obturações de amálgama. O mesmo deve ser dito para os agentes mobilizadores de mercúrio como a diluição homeopática (Merc sol.).

Uma advertência particular deve ser feita para os colegas que usam a quelação por EDTA para problemas cardiocirculatórios. O EDTA além de formar com o mercúrio complexos tóxicos para o Rim, pode provocar, no paciente ainda com amálgama, uma perigosa mobilização de mercúrio.

O tema mercúrio merece uma abordagem à parte que foge dos objetivos desse artigo, mas posso dar o meu testemunho do potencial de adoecimento e desequilíbrio representado por este metal pesado. O mercúrio é sem dúvida o principal responsável pelos quadros de alteração do SNA (disautonomia), com uma gama variada de sintomas como: taquicardia, hipo/hipertensão arterial, alteração de temperatura, alteração de motilidade gastrointestinal, etc.

Ironicamente, os dentistas que se fiam no discurso da ADA, apresentam quase sempre níveis importantes de intoxicação, e é aconselhado que eles tomem cuidados a esse respeito. O próprio ambiente do consultório dentário já foi estudado e comprovado tratar-se de um ambiente poluído por mercúrio.

3. Eletrogalvanismo

É a presença de corrente elétrica oriunda dos contatos entre os materiais dentários. Geralmente entre materiais dentários diferentes, mas pode também ocorrer com materiais idênticos. A corrente elétrica produzida gera o desgaste dos próprios materiais, e é conduzida pela saliva para os tecidos vizinhos, principalmente SNA, e daí para o SNC. O eletrogalvanismo bucal pode acarretar falta de concentração, perda de memória, insônia, problemas psicológicos, zumbido, vertigem, epilepsia, perda de audição, problemas oculares, etc.

O diagnóstico de eletrogalvanismo pode ser feito por medição com um voltímetro ou amperímetro semelhante ao usado em eletroacupuntura de Voll. Mede-se a corrente em relação aos tecidos bucais e em entre os materiais. Consideramos valores significativos àqueles iguais ou maiores que 100 mv ou 3 a 5 miliAmp.. Na falta de um aparelho, podemos usar o teste muscular.

Neste caso, pesquisamos o galvanismo vertical e o horizontal. No primeiro caso, pedimos ao paciente para fechar a boca e tocar levemente os dentes. Se o músculo indicador desligar o teste é positivo. No segundo, escolhemos um músculo desligado/fraco e passamos uma fita desmagnetizadora de cabeçote de toca-fita sobre a pele da face. Se o músculo ligar o teste é positivo. Muitos pacientes já experimentam melhoras passageiras depois do teste. Mas, o tratamento requer a intervenção do dentista e a substituição dos metais por resina polimerizável.

4. Disfunção Temporomandibular ou Dentoarticular

O sugar/mastigar representa um mecanismo primário de sobrevivência. Todo mamífero começa seu desenvolvimento a partir da boca. No início, é através da boca que ele interage e se relaciona com o meio externo. Vindo depois os demais sentidos. Hoje em dia cresce o número de estudiosos a considerar que o desenvolvimento psiconeurobiológico do homem, tem como eixo central o desenvolvimento dos mecanismos do sugar/mastigar, e não o eixo do processo cognitivo cerebral clássico e da locomoção. Em termos estruturais podemos notar a importância biológica dessa região.

Cerca de sete pares cranianos lhe dão suporte ao funcionamento. É evidente de que quanto mais complexa e estratégica é uma região, em termos neurofuncionais, maior é a oferta de vias neurais. No entanto, pelo lado do desequilíbrio, tal região assume um potencial significativo em relação ao poder de interferência junto ao SNC e SNA. Ou seja, os processos interferentes da boca têm maiores possibilidades de afetar os núcleos centrais de comando da bioinformação (cérebro médio), do que processos onde a via aferente passa por filtros como os gânglios paravertebrais e a medula. Além disso, e não por acaso, a boca se especializou em unidade funcional de forte expressão emocional. Não podemos mais abordar essa unidade sem ter claro que por trás de alterações estruturais se encontram quase sempre processos emocionais causais ou coadjuvantes.

O principal processo a comprometer a função temporomandibular é chamado de problema oclusional ou má oclusão. A má oclusão ocorre geralmente por três grupos de problemas: 1. Perda de elementos dentários por cárie, doença periodontal, trauma ou desgaste por bruxismo; 2. ação do dentista através de restaurações com altura inadequadas; 3. Problema de desenvolvimento - emocional, dietético (alimentos processados, principalmente farinha e açúcar). O problema da má oclusão não fica restrito apenas a boca, como pensa a odontologia oficial, todo o organismo terá que se adaptar a esta situação. O crânio e a face se destorcem para facilitar a oclusão. Essa alteração por sua vez tensiona as meninges, em especial a dura mater e suas inserções cervical e sacrococcígea. A coluna vertebral e o quadril são forçados ao desalinhamento. Portanto, escoliose, dor lombar e lombossacra, sintomas cerebrais como depressão, perda de memória, insônia, fadiga, são quadros esperados. Numa abordagem que considera a integração de toda a rede de fáscias corporal, o problema oclusional, pode tensionar qualquer região do corpo e, por outro lado, qualquer região do corpo pode, quando alterada (eg. cicatriz, eletrogalvanismo, material), afetar a articulação temporomandibular.

Conclusão

A influência dos problemas da boca no todo orgânico há muito é reconhecida por médicos e dentistas Europeus, em especial na Alemanha. Nos EUA, os adeptos dessa linha se entitulam Holistic Dentist ou Biological Dentist. Aqui entre nós, essa percepção é ainda incipiente, e tem sido salientada mais pelos médicos que seguem a influência da medicina biológica, do que pelos dentistas. Seria um primeiro passo se, pelo menos, os médicos e dentistas que seguem a linha natural começassem a considerar o saber e a experiência já disponíveis nas suas abordagens. Esse artigo é uma contribuição nesse sentido.

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